Em reação a Trump, UE avalia tarifas de € 93 bilhões e países reforçarão segurança no Ártico


A União Europeia (UE) avalia impor tarifas de € 93 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) aos Estados Unidos ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco. A medida seria uma respostas às ameaças do presidente americano, Donald Trump, relacionadas à anexação da Groenlândia. A informação é do Financial Times.

Neste domingo (18), líderes europeus, em uma reunião de emergência, discutem  uma resposta conjunta ao agravamento das tensões diplomáticas e militares no Ártico. O encontro reúne representantes dos 27 países do bloco, em Bruxelas, sob a presidência rotativa da UE exercida pelo Chipre.

Oito países da Europa saíram em defesa da Groenlândia neste domingo, assinando uma declaração em conjunto em que dizem estar comprometidos com a segurança do território no Ártico.

No sábado (17), Trump anuciou a intenção de impor tarifas de 10%, com possibilidade de elevação para 25% a partir de junho, contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.

Trump realiza uma ofensiva contra a Groenlândia com o objetivo de fazer com que a ilha se torne parte dos EUA, o que deixou europeus em alerta. A ilha do Ártico pertence à Dinamarca, que disse não estar disposta a negociar sua soberania sobre o território.

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Donald Trump

Retaliação da União Europeia

As medidas de retaliação da UE estão sendo desenhadas para fortalecer o poder de barganha dos líderes europeus durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Segundo o Financial Times, as medidas tarifárias da UE já estavam prontas desde o ano passado e haviam sido suspensas até 6 de fevereiro, mas voltaram a ser discutidas neste domingo. Também foi debatido o uso do chamado instrumento anticoerção, que permitiria restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco.

Países europeus anunciaram o reforço da segurança no Ártico, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo dinamarquês. Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda disseram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan. O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.

Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague no sábado para criticar a intenção de Trump de anexar o território.

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou neste sábado que a ameaça de tarifas impostas pelos Estados Unidos à Groenlândia é inaceitável. “Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, nem na Ucrânia, nem na Groenlândia, nem em qualquer outro lugar do mundo quando nos depararmos com tais situações”, escreveu Macron em publicação na rede social X.

“As ameaças de tarifas são inaceitáveis e não têm lugar neste contexto. Os europeus responderão a elas de forma unida e coordenada caso se confirmem”, afirmou.

O presidente americano afirma que a ilha é estratégica para a segurança dos EUA, por sua localização e por suas reservas minerais, e não descartou o uso da força, o que elevou o alerta entre aliados europeus.

 





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