A defesa do empresário Nelson Tanure solicitou à Justiça Federal que a denúncia apresentada nesta semana pelo Ministério Público Federal (MPF), no âmbito de uma investigação por uso de informação privilegiada, seja remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido se baseia na alegação de que o caso teria possível relação com as apurações envolvendo o Banco Master, conforme revelou o colunista Rennan Setti, de O Globo.
Tanure foi denunciado após o MPF apontar indícios de que ele teria se valido de informações privilegiadas para obter vantagens financeiras com ações da construtora Gafisa, da qual é acionista de referência. O empresário nega irregularidades. A denúncia tramita atualmente na 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, mas seus advogados defendem que a competência deve ser do STF.
Segundo a petição cujo conteúdo o colunista de O Globo teve acesso, do escritório que representa o empresário, a investigação teria relação com o caso envolvendo o Banco Master, apesar de apenas Tanure e o empresário Gilberto Benevides — ex-dono da incorporadora Upcon, adquirida pela Gafisa — terem sido formalmente denunciados até o momento.
Ao longo da investigação, houve pedidos de busca e apreensão e de quebra de sigilo envolvendo Daniel Vorcaro e Maurício Quadrado, que eram acionistas do Banco Master.
Na petição, a defesa afirma que a persecução penal envolve integrantes do Banco Master, incluindo seu controlador, Daniel Vorcaro, além de empresas do grupo financeiro. Para os advogados, esse contexto justificaria o deslocamento do caso ao STF.
O pedido ocorre no contexto em que o ministro Dias Toffoli determinou que todas as investigações relacionadas ao Banco Master fossem concentradas no Supremo, impondo sigilo integral aos procedimentos, diante da possibilidade de envolvimento de pessoas com foro privilegiado.
Embora o caso de Tanure não envolva, até o momento, investigados com prerrogativa de foro, a defesa sustenta que a existência de uma conexão aparente com o caso do Banco Master, exige a remessa dos autos ao STF.
Até agora, não houve decisão judicial sobre o pedido.




