Enfrentar violência nas escolas não pode ser responsabilidade só de professores, alerta especialista


ouça este conteúdo

00:00 / 00:00

1x

Por Adele Robichez e Kaique Santos – Brasil de Fato

O aumento expressivo da violência nas escolas brasileiras, que triplicou nos últimos dez anos, não surpreende quem acompanha de perto a realidade da educação. Para a especialista no tema, Miriam Abramovay, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o alerta já vinha sendo dado há muito tempo, mas só ganhou mais atenção após os atentados que chocaram o país nos últimos anos.

“A agressão física é cotidiana nas escolas. Muitas vezes, ela é vista como linguagem para resolver conflitos”, explica Abramovay, em entrevista ao Conexão BdF, do Brasil de Fato. Segundo ela, o ambiente escolar deixou de ser um espaço respeitado para se tornar palco frequente de brigas, agressões verbais e físicas, violência institucional, sexual e até a entrada de armas.

A pesquisadora destaca ainda que enfrentar essa crise não pode ser responsabilidade apenas dos professores. “Precisamos de uma política pública ampla. A escola deveria ser um lugar de proteção, e não mais um espaço de risco; ela também tem que ser protegida”, defende. Ela destaca a urgência de valorizar o magistério com melhores salários, mas também com formação continuada, que prepare os profissionais para lidar com a juventude e com temas como a violência escolar.

Prova Nacional Docente A valorização do servidor público: entre o presente e as heranças do passado; escolas

“Não podemos esquecer que 97% das crianças estão nas escolas. Mesmo que adolescentes e jovens evadam mais, a escola continua sendo a principal instituição social que eles frequentam”, completa. Segundo ela, é essencial criar ambientes com gestão democrática, escuta ativa e participação de toda a comunidade escolar. “Os professores não são culpados pelos dados. Eles também sofrem violências, inclusive institucionais. Precisam ser protegidos e admirados”, acrescenta.

A pesquisadora chama atenção também para os limites do conceito de bullying. “Hoje tudo é chamado de bullying, mas é importante diferenciar. Automutilação, suicídio, agressões físicas são fenômenos de violência em si”, afirma. Ela aponta ainda o papel das redes sociais na visibilidade desses episódios, especialmente entre os chamados “jovens de quarto”, que se isolam e buscam uma forma de pertencimento nesses espaços online, muitas vezes tomados por grupos neonazistas, os quais a especialista acompanha com preocupação.

“Ninguém sabe muito bem o que os jovens estão fazendo na internet. Temos muitas redes sociais voltadas para o crime hoje, que estão instigando esses jovens a se automutilarem e até mesmo chegarem ao suicídio. O problema tem a ver com as redes”, alerta.



Fonte: ICL Notícias

Museu do Futebol lança audioguia em formato de programa de rádio

Aumentar a acessibilidade para...

Prefeito David Almeida amplia rede de esporte comunitário e transforma área abandonada em complexo social na zona Norte de Manaus

O prefeito de Manaus, David Almeida, entregou, neste domingo, 29/3, a praça e a quadra poliesportiva do conjunto Mundo Novo, na avenida Max Teixeira,...

Prefeito David Almeida fiscaliza avanço dos serviços do quarto complexo viário de sua gestão e obra estratégica de mobilidade

O prefeito de Manaus, David Almeida, vistoriou, neste domingo, 29/3, obras de mobilidade urbana nas zonas Norte e Leste da capital, acompanhando o início...

Amazonas Repórter

Tudo

CEO da Riachuelo conta expectativas após lucro de R$ 249 mi no 4º tri

A Guararapes, empresa-mãe da Riachuelo, anunciou um lucro líquido de R$ 249 milhões no quarto trimestre de 2024, representando um crescimento de 8,8%...

IA reduz em 50% tempo para atacar contas

IA reduz em 50% tempo para atacar contas - CISO Advisor Ir para o conteúdo Fonte: CISO Advisor

‘Sem precedentes’, diz deputada sobre empréstimo de R$ 4 bi do Pará

O governador do Pará, Helder Barbalho, e a deputada Lívia Duarte (Composição: Paulo Dutra/CENARIUM) ...