Enquanto o governo brasileiro é alvo de ameaças de sanções e barreiras comerciais por parte dos EUA e de seus aliados bolsonaristas, a China anuncia nesta terça-feira que passa a considerar o Brasil como um território livre de febre aftosa.
A medida foi comemorada pelo governo diante do impacto que ela terá para as exportações nacionais de carne para um dos maiores mercados consumidores do mundo.
Diz o decreto chinês, publicado pela Administração-Geral de Aduanas e do Ministério da
Agricultura e Assuntos Rurais:
Com base nos resultados da análise de risco, a partir da data de publicação do presente
Anúncio, fica revogada a restrição relacionada à febre aftosa aplicada à região norte do
Brasil, reconhecendo-se todo o território brasileiro como livre de febre aftosa.
Ficam revogados, simultaneamente, o Anúncio Conjunto nº 213 de 2002 do antigo
Ministério da Agricultura e da antiga Administração-Geral de Supervisão de Qualidade,
Inspeção e Quarentena (referente ao reconhecimento de doze estados do Brasil como
áreas livres de febre aftosa com vacinação), o Anúncio Conjunto nº 565 de 2005 do antigo Ministério da Agricultura e da antiga Administração-Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena (referente às medidas de prevenção contra a introdução de febre aftosa no território nacional), bem como o Anúncio Conjunto nº 123 de 2009 da antiga Administração-Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena e do antigo Ministério da Agricultura (referente ao levantamento parcial das restrições relacionadas à febre aftosa em determinadas regiões do Brasil).
Apesar da decisão, cinco frigoríficos brasileiros estão barrados de vender para a China. Na semana passada, Pequim havia suspendido as importações de carne bovina brasileira de uma unidade da JBS em Vilhena, Rondônia. Isso ocorreu depois da identificação de questões sanitárias.
Antes, outros frigoríficos brasileiros já tinham sido abalados por barreiras, também de dimensão sanitária em produtos congelados e desossados.
O Brasil ainda disputa as cotas dadas pela China aos maiores exportadores do mundo. Nos quatro primeiros meses de 2026, Pequim ampliou as compras em 25%. Nesse período, o Brasil forneceu por mais de 50% desse fluxo. No total, 612 mil toneladas foram exportadas, um aumento de 53% em comparação ao mesmo período de 2025.
Ainda assim, a decisão de Pequim sobre o Brasil vem em um momento importante. Em maio, a China havia dado mais 400 licenças de frigoríficos dos EUA que estavam vencidas. A decisão que reabre o fluxo de comércio ocorreu depois da reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, realizada em Pequim.
A renovação foi considerada uma vitória para o setor de carne bovina dos EUA, inclusive com benefícios para Cargill e Tyson Foods.
Ao longo dos últimos meses, a tensão comercial entre os dois países levou a uma queda importante nas exportações dos EUA. Em 2022, o volume havia atingido US$ 1,7 bilhão. Mas não passou de US$ 500 milhões em 2025.



