Jamil Chade e Cleber Lourenço
Sem dar qualquer explicação detalhada, o governo norte-americano emitiu uma nota anunciando que todos os seus consulados e a embaixada dos EUA no Brasil estarão fechadas a partir desta sexta-feira, dia 2 de outubro. A decisão pegou membros do governo, diplomatas e representantes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) de surpresa.
No comunicado, o governo norte-americano afirma que “os serviços consulares na Embaixada e nos Consulados dos EUA no Brasil serão suspensos a partir de sexta-feira, 2 de outubro, devido a questões de segurança”.
Não há qualquer informação sobre quando os postos reabririam. A decisão de fechar um serviço de tal importância para os emigrantes dos EUA é considerada dentro da diplomacia como “extrema” e apenas tomada em última instância.
Fontes diplomáticas indicaram ao ICL Notícias que a decisão foi tomada na quinta-feira, depois que os EUA receberam supostamente ameaças.
O texto ainda aponta que “cidadãos norte-americanos que necessitem de assistência de emergência durante esse período não devem comparecer à Embaixada, aos Consulados ou a outras instalações diplomáticas dos EUA”.
“Caso precise de assistência de emergência, entre em contato com o oficial de plantão responsável”, afirma a nota, que apresenta diversos números de telefone e emails alternativos.
Membros do Itamaraty receberam a notícia com “preocupação”. O ICL Notícias apurou que integrantes do governo brasileiro tentaram obter, desde ontem, informações sobre os detalhes de como seriam essas ameaças.
Num comunicado, o Departamento de Estado americano insistiu que “a administração Trump tem máxima prioridade à segurança e à proteção dos cidadãos americano”.
“Estamos trabalhando em estreita cooperação com nossas contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”, disse o Departamento de Estado.
Para o governo norte-americano, de fato, a questão de segurança de seus diplomatas é considerado como prioridade em seus postos no exterior. Em julho deste ano, a própria Embaixada dos EUA em Brasília já havia sido alvo de ameaças de explosão. Um americano de 42 anos residente em Araçatuba foi investigado pela Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento da PCDF. Ele teria enviado e-mails ameaçando explodir a Embaixada em Brasília e atacar cidadãos americanos. Houve busca e apreensão em 8 de julho.
Não se descarta, dentro do governo brasileiro, que a atitude tenha como objetivo causar medo e instabilidade em pleno momento eleitoral no país. “A mensagem que passa é que estamos vivendo um momento perigoso”, destacou um diplomata brasileiro.





