Ex-estagiário ligado ao PCC se infiltrou no MPSP para cometer crimes, aponta investigação


Por Francisco Lima Neto

(Folhapress) – O ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo, em Campinas, no interior de São Paulo, preso na Operação Infiltrados, nesta terça-feira (9), ingressou no órgão já com a intenção de cometer crimes, segundo investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Além dele, foram presos um ex-policial civil e um chefe de investigadores da Polícia Civil. Eles são investigados sob suspeita de serem infiltrados do PCC (Primeiro Comando da Capital) na polícia e na Promotoria, e envolvimento em plano de atentado para matar Amauri Silveira Filho, promotor de Justiça do Gaeco.

O ex-estagiário, segundo a investigação, teria se infiltrado, de forma planejada, em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas para fins criminosos.

Questionada, por email, sobre a atuação do ex-estagiário na manhã desta terça-feira, a Promotoria ainda não se manifestou.

O ex-estagiário, atualmente advogado, usou bancos de dados e sistemas de pesquisa do Ministério Público para identificar criminosos de alto poder econômico para extorquir dinheiro em troca de suposta proteção em investigações.

Agentes do 1° Baep durante cumprimento de mandados em Campinas - Divulgação/Polícia Militar
Agentes do 1° Baep durante cumprimento de mandados em Campinas. (Foto: Divulgação/Polícia Militar)

O Gaeco descobriu que um dos principais membros do PCC na região de Campinas estava sendo vítima de extorsão e que o funcionário seria o responsável direto pelo crime.

Foram cumpridos três mandados de prisão temporária, sendo dois em Campinas, e um na cidade de Cardoso (SP). Além disso, são cumpridos dez mandados de busca e apreensão nos dois municípios.

Os investigadores descobriram que um dos principais acusados pela execução do plano para matar o promotor de Justiça teve um encontro com o chefe dos investigadores da Dise (Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes) de Campinas, uma semana antes da operação que teria evitado o atentado.

No material apreendido na ocasião, há um vídeo em que mostra o encontro. O Gaeco agora analisa se informações privilegiadas e sensíveis teriam sido repassadas ao criminoso pelo investigador de polícia.

Dentre os agentes públicos presos na operação desta terça, está um policial penal e um ex-policial civil, expulso da corporação anos atrás por participação em crime de extorsão mediante sequestro.





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