Famílias denunciam médium por usar informações da internet em psicografias


Famílias que procuraram a médium Máira Rocha em busca de mensagens atribuídas a parentes mortos acusam a profissional de usar informações disponíveis na internet para produzir cartas psicografadas.

A denúncia foi investigada pelo Fantástico, que durante mais de dois meses ouviu famílias, pesquisadores e representantes de entidades espíritas e reconstituiu a trajetória da médium. Máira também é alvo de acusações de ameaça, charlatanismo e estelionato. Procurada pelo programa, ela não aceitou gravar entrevista.

Um dos casos apresentados envolve Henrique, de 18 anos, que morreu em um acidente de carro. Durante uma transmissão ao vivo, Máira afirmou ter recebido uma mensagem do jovem e o descreveu como jogador de futebol.

A família, porém, afirma que Henrique nunca foi jogador profissional. Os parentes descobriram que uma fotografia dele usando uniforme esportivo havia sido publicada em uma reportagem sobre o acidente. O texto jornalístico também o identificava equivocadamente como jogador de futebol.

Em outro momento, a médium relacionou Henrique a dois jovens que apareciam na mesma imagem. A família afirma que a fotografia era, na verdade, uma montagem publicada durante uma campanha de arrecadação de alimentos na pandemia e reunia imagens de três pessoas que morreram em períodos e circunstâncias diferentes.

Quem é Máira Rocha

Máira é advogada e servidora do Ministério da Saúde e ficou conhecida em Brasília pelo trabalho como médium. No início deste ano, criou a Casa da Caridade Inácio Daniel, que, segundo o Fantástico, atende cerca de 5 mil pessoas por mês.

O centro também realiza sessões de cartas psicografadas, chamadas de cartas consoladoras, coordenadas por Máira. As famílias fazem doações à instituição após receberem as mensagens.

A Casa da Caridade também promove leilões de objetos usados pela médium nas sessões. A prática é criticada pela Federação Espírita Brasileira. Segundo o presidente da entidade, Jorge Godinho, a doutrina espírita não orienta a realização desse tipo de atividade.

Além das acusações de fraude, a reportagem ouviu pessoas que conviveram com Máira e relataram conflitos e questionamentos sobre sua suposta mediunidade.

Para as famílias ouvidas pelo programa, as informações incorretas e as coincidências com conteúdos publicados na internet colocam em dúvida a origem das mensagens atribuídas aos mortos.





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