Fatia de pessimistas com economia do Brasil cai de 35% para 26%, diz Datafolha


Por Maeli Prado

(Folhapress) – A expectativa dos brasileiros para a situação econômica do Brasil melhorou nos últimos três meses e meio, com aumento do otimismo e queda no pessimismo com o futuro, mostra pesquisa Datafolha.

Entre os ouvidos, 36% consideram que a economia brasileira vai melhorar nos próximos meses, um avanço em relação aos 30% que se declararam otimistas na pesquisa anterior, feita no início de março.

Ao mesmo tempo, o percentual dos que avaliam que a situação econômica do país vai piorar teve uma queda de 9 pontos percentuais, passando de 35% para 26% na mesma comparação. Entre os consultados, 32% dizem acreditar que a economia permanecerá como está (o percentual era de 33% em março) e 6% declararam não saber (contra 3%).

A pesquisa Datafolha foi feita nos dias 17 e 18 de junho com 2.004 entrevistados com 16 anos ou mais, distribuídos por 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo.

Sobre a situação financeira pessoal, 51% dos entrevistados afirmaram que acreditam em melhoria, o mesmo percentual de março. A proporção daqueles que veem piora no futuro foi de 14% para 12%.

A avaliação de que a economia vai melhorar é maior entre os menos instruídos (40%), entre aqueles com renda familiar mensal de até dois salários mínimos (41% dos entrevistados) e entre os que pretendem votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) (52%).

Já a taxa de pessimismo é maior entre os mais instruídos (32%), aqueles com renda familiar mensal de mais de cinco salários mínimos (35%) e entre os que pretendem votar em Flávio Bolsonaro (PL) para presidente (45%), segundo o Datafolha.

Para economistas e cientistas políticos, o cenário está relacionado à expansão dos estímulos à economia pelo governo em ano eleitoral, à Copa do Mundo e ao programa de renegociação de dívidas Desenrola, que foi lançado no início de maio.

Houve também a aprovação pela Câmara dos Deputados da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que põe fim à escala 6×1 (de seis dias trabalhados para um de descanso), uma das principais apostas de bandeira eleitoral do governo. O texto ainda precisa ser avaliado no Senado.

“Vimos um conjunto de ações que quebraram o vácuo político do início do ano, que foi marcado apenas por notícias negativas, como a situação financeira complicada das famílias devido ao elevado comprometimento de renda”, aponta Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria.

Ele avalia que, em menor grau, as perspectivas para o futuro também são afetadas pela Copa do Mundo. “A Copa dá uma anestesiada, canaliza a atenção da opinião pública em detrimento de outros temas.”

Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, afirma que a principal diferença de cenário entre as pesquisas Datafolha de março e junho é que há três meses a guerra no Oriente Médio havia acabado de começar, o que elevou o pessimismo com o futuro por causa da disparada dos preços do petróleo.

“Essa tentativa de acordo entre Irã e Estados Unidos para a reabertura do estreito de Hormuz ajuda em um otimismo um pouco maior agora”, diz. “Os estímulos do governo à economia também ajudam a explicar o menor pessimismo.”

É a mesma avaliação de Fabio Pina, assessor econômico da FecomercioSP, que afirma que os incentivos sustentam o emprego e o consumo de forma artificial.

“Hoje o emprego e a renda estão em patamares elevados, e o próprio mercado financeiro está revendo para cima a perspectiva de crescimento econômico do país”, diz. “É provável que a proximidade com a Copa do Mundo também esteja influenciando os números, mas essa não é a razão principal.”

Cortez lembra que em anos eleitorais costuma haver melhoria na avaliação do governo. “Os governos tomam decisões e constroem políticas públicas para dar ganhos mais concretos de curto prazo aos eleitores. A comunicação do governo sobre pontos positivos é intensa, e isso pode ajudar na melhoria da percepção sobre a economia”, aponta.

Pessimismo elevado no presente

Apesar do otimismo maior com o futuro, a pesquisa Datafolha indica uma acomodação do pessimismo dos brasileiros em patamares elevados quando o assunto é o desempenho da economia brasileira nos últimos meses.

Segundo o levantamento, 45% dos entrevistados acreditam que a situação econômica do país piorou nos últimos meses, contra 46% em março, dentro da margem de erro.

A percepção de que a economia brasileira melhorou caiu de 24% para 22% dos entrevistados, também dentro da margem de erro, enquanto a avaliação de que a situação econômica do Brasil se manteve igual passou de 28% dos ouvidos para 32%.

“O otimismo maior com o futuro é sempre notado em todas as pesquisas ao redor do mundo”, explica Tobler. “Naturalmente as pessoas são mais otimistas com o futuro do que com o presente.”

No caso da situação financeira pessoal, 31% acreditam que piorou (ante 33% em março), e 29%, que melhorou (contra 30% na pesquisa anterior), nos dois casos dentro da margem de erro.





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