O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) inicia nesta segunda-feira (19) os pagamentos aos investidores que mantinham aplicações financeiras no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado. A liberação marca o maior processo de ressarcimento já conduzido pelo fundo desde sua criação, em 1995.
Segundo o FGC, cerca de 150 mil credores já estão aptos a receber os valores, após concluírem todas as etapas de solicitação. Esse grupo representa 18,75% do total estimado de 800 mil investidores com direito à garantia.
Até o momento, o Fundo Garantidor recebeu aproximadamente 369 mil solicitações por meio do aplicativo oficial. O levantamento mais recente aponta um ritmo médio de 9 mil pedidos por hora, o equivalente a 2,5 solicitações por segundo.
Apesar do volume expressivo, o número de requerimentos ainda está distante do total de credores elegíveis. De acordo com o FGC, o valor global dos pagamentos pode alcançar R$ 40,6 bilhões, considerando todos os investidores com direito à cobertura.
Limite de cobertura e saldo remanescente

Os ressarcimentos estão limitados a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo o valor principal aplicado e os rendimentos acumulados até a data da liquidação do banco, em 18 de novembro de 2025.
No caso de aplicações acima desse teto, a diferença permanece registrada como saldo remanescente no Banco Master, podendo ser quitada futuramente a partir da recuperação de ativos e do pagamento a outros credores no processo de liquidação.
A operação supera o maior resgate já realizado pelo Fundo Garantidor até então: os R$ 20 bilhões devolvidos aos clientes do Banco Bamerindus após a intervenção do Banco Central em 1997. Ao longo de três décadas, o FGC já conduziu 39 processos de pagamento de garantias.
Dois meses sem rendimentos
Desde a liquidação do Banco Master, os recursos aplicados ficaram bloqueados e sem qualquer rendimento. CDBs, RDBs, LCIs, LCAs, LCDs e LHs vinculados à instituição deixaram de render a partir de 18 de novembro.
O impacto financeiro já é mensurável. Um investidor com R$ 100 mil aplicados em um CDB que rendia 115% do CDI, por exemplo, acumulou uma perda aproximada de R$ 2,2 mil, considerando o Imposto de Renda e a inflação do período.
O início dos pagamentos aos investidores do Master representa o maior intervalo entre liquidação e ressarcimento desde 2013, quando ocorreu a devolução aos clientes do Banco Rural. Naquele caso, o prazo foi de três meses e seis dias.
Segundo o FGC, o atraso atual está relacionado à movimentação judicial envolvendo a instituição, o que exigiu maior cautela na consolidação da lista de credores.
Como solicitar o reembolso
O recebimento da garantia não é automático. Investidores pessoas físicas devem realizar a solicitação diretamente pelo aplicativo do FGC, onde visualizam o valor a receber e assinam digitalmente o termo de adesão após validação de identidade.
Já as pessoas jurídicas fazem o processo pelo site oficial do FGC e recebem a documentação após análise. Após a assinatura digital, o pagamento é efetuado em até dois dias úteis, com depósito direto na conta indicada.
Alerta contra golpes e fraudes
O Fundo Garantidor de Crédito reforçou o alerta sobre a circulação de comunicações fraudulentas, como e-mails, mensagens, links e páginas falsas que simulam contato da instituição.
O FGC destaca que não cobra taxas, não utiliza intermediários e não faz contato por WhatsApp ou SMS. O objetivo dos criminosos, segundo o órgão, é obter dados pessoais, códigos de validação ou confirmações de cadastro.




