Por Ana Paula Branco, Cristiane Gercina e Gabriela Cecchin
(Folhapress) – O Minha Casa, Minha Vida recebeu um reforço de R$ 500 milhões no orçamento destinado aos descontos das faixas 1 e 2 do programa, que atendem famílias com renda de até R$ 5.000.
A medida, aprovada na semana passada pelo Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), eleva de R$ 12,5 bilhões para R$ 13 bilhões o volume total de recursos disponível para os descontos este ano e ajuda a garantir a continuidade das contratações e o atendimento da demanda até dezembro.
A suplementação atende a uma demanda apresentada pela Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e é essencial para dar continuidade às contratações do programa. Dos R$ 12,5 bilhões originalmente previstos para 2026, cerca de R$ 7,8 bilhões já haviam sido utilizados, conforme a Cbic.
Segundo o presidente da entidade, Eduardo Aroeira Almeida, grande parte das empresas do setor atua nas faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida e, como o financiamento não cobre 100% do valor do imóvel, muitas famílias têm dificuldade de reunir os recursos necessários para a entrada. “O desconto concedido com recursos do FGTS é fundamental para reduzir esse valor e viabilizar a compra da moradia”, afirma.
Segundo Johnny Ferreira dos Santos, coordenador-geral de Gestão do FGTS e colegiados do Ministério das Cidades, o valor irá para compor os descontos para as famílias.

Na reunião, ele apresentou os dados do programa. Segundo os números, em julho, 32,3 mil famílias foram beneficiadas com descontos, que somaram quase R$ 1,1 bilhão.
Até julho de 2026, mais de 200 mil famílias haviam sido beneficiadas com o desconto do programa, e a projeção do Ministério das Cidades é chegar a 376 mil famílias beneficiadas em 2026.
O Minha Casa, Minha Vida funciona como um dos principais motores do mercado imobiliário brasileiro, sustentando o volume de lançamentos e vendas em um cenário de juros ainda elevados e crédito caro.
A força do programa aparece não apenas na habitação popular, mas no peso que as unidades enquadradas no programa habitacional passaram a ter nos resultados gerais das incorporadoras.
No segundo trimestre deste ano, 62.129 das 107.161 unidades lançadas estavam enquadradas no Minha Casa, Minha Vida (58% do total), a maior participação da série histórica de levantamento da Cbic e da Brain Inteligência Estratégica, iniciada em 2019.
Para Celso Petrucci, conselheiro da Cbic e economista-chefe do Secovi-SP, se a taxa de juros continuar a dois dígitos, a participação do programa nos lançamentos deve chegar a 64%.
A força do programa se concentra principalmente nas regiões Norte, Sudeste e Nordeste. No Norte, o Minha Casa, Minha Vida lidera com 68% dos lançamentos (1.864 unidades) e 67% das vendas (2.463 unidades) do trimestre. No Sudeste, que responde pela maior fatia absoluta de mercado, o Minha Casa teve participação de 66% nos lançamentos (39.273 unidades) e de 58% nas vendas (33.159 unidades).
O conselho aprovou também proposta de ampliação do prazo máximo de amortização de 20 para 30 anos nos programas Pró-Moradia, Saneamento Básico, Pró-Transporte e Pró-Cidades.
Com isso, as operações de crédito com recursos do FGTS precisam observar o prazo máximo de amortização de 30 anos.
Segundo o Ministério das Cidades, a mudança possibilita prazos mais compatíveis com as modalidades em relação a outras fontes de financiamento, para atender a uma demanda do setor.
Condições oferecidas no Minha Casa, Minha Vida
Faixa – Renda familiar bruta mensal – Taxa de juros anual
1 – Até R$ 3.200 – 4% a 5%
2 – R$ 3.200 a R$ 5.000 – 4,75% a 7%
3 – R$ 5.000 a R$ 9.600 – 7,66% a 8,16%
4 (classe média) – R$ 9.600 a R$ 13 mil – 10%
Valores dos imóveis
Faixas 1 e 2 – Até cerca de R$ 275 mil
- Mais compactos, geralmente apartamentos de 2 dormitórios, com metragem reduzida e foco em custo
- São comuns em bairros mais afastados ou cidades menores
Faixa 3 – Até R$ 400 mil
- Apartamentos novos de padrão intermediário, ainda com 2 quartos na maioria dos casos, mas já com mais espaço e áreas de lazer
Faixa 4 – Até R$ 600 mil
- Imóveis de padrão médio, com 2 ou 3 dormitórios, maior metragem e condomínios mais completos, inclusive em regiões mais valorizadas das grandes cidades





