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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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‘Filhos do Bolsa Família: 70% dos jovens deixam o programa em uma década


Um estudo realizado pela FGV (Fundação Getulio Vargas) em parceria com o MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social) mostrou que sete em cada dez jovens que recebiam o Bolsa Família em 2014 deixaram o programa até 2025.

A saída é mais expressiva entre adolescentes:

  • 68,8% dos que tinham entre 11 e 14 anos em 2014 deixaram o programa.
  • 71,25% dos que tinham de 15 a 17 anos no mesmo ano também não dependem mais do benefício.

A pesquisa identificou diferenças marcantes por região, gênero e local de moradia. Mulheres, moradores de áreas rurais e das regiões Norte e Nordeste apresentam menor taxa de saída, o que indica maior dificuldade de superar a pobreza.

Saída por região:

  • Sul: 80%
  • Centro-Oeste: 77%
  • Sudeste: 75%
  • Nordeste: 57%
  • Norte: 55%

Em áreas urbanas, 67% dos jovens deixaram o programa; no meio rural, apenas 55%. Quando os pais trabalham na agricultura, a taxa cai para 53%, contra 70% entre os ocupados em outros setores.

Mercado de trabalho e escolarização

O estudo mostra que condicionalidades do Bolsa Família, especialmente aquelas relacionadas à educação, têm papel central na quebra do ciclo da pobreza.

Entre jovens de 15 a 17 anos beneficiários em 2014:

  • 52,67% saíram do Cadastro Único.
  • 28,4% têm emprego formal em 2025.

Entre os então adolescentes de 11 a 14 anos:

  • 46,95% deixaram o CadÚnico (Cadastro Único).
  • 19,10% têm carteira assinada atualmente.

Segundo o professor Valdemar Pinho Neto, da FGV, a escolaridade dos pais influencia diretamente as chances de os filhos deixarem o programa.

Posicionamento do governo

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, destacou que Norte e Nordeste concentram maior número de pessoas em situação de pobreza e com menor acesso a infraestrutura e oportunidades de emprego. Ele afirmou que o governo vem ampliando políticas de qualificação, crédito e cuidado, como:

  • Programa Acredita, que oferece microcrédito, apoio ao empreendedorismo e cursos de curta duração.
  • Cuidotecas, espaços para que mães possam deixar seus dependentes enquanto trabalham ou estudam.

Para Dias, os dados reforçam que o Bolsa Família estimula, e não desestimula, a busca por trabalho: “Ao contrário do preconceito, temos evidências de que o programa promove emprego e a superação da pobreza”, disse.

Condicionalidades: como funcionam

As famílias beneficiárias precisam cumprir requisitos nas áreas de saúde e educação:

Saúde

  • Vacinação e acompanhamento nutricional de crianças menores de 7 anos.
  • Pré-natal obrigatório para gestantes.

Educação

Frequência escolar mínima de:

  • 60% para crianças de 4 a 6 anos;
  • 75% para jovens de 6 a 18 anos que ainda não concluíram a educação básica.

Mecanismos recentes que ampliam a autonomia

Regra de Proteção: Permite que famílias continuem recebendo 50% do benefício por 12 meses mesmo após ultrapassar a renda mínima, desde que não exceda R$ 706 por pessoa.
Programa Acredita: Oferece qualificação profissional, microcrédito e apoio ao empreendedorismo para famílias do CadÚnico, com foco em mulheres, jovens, pessoas com deficiência e populações tradicionais.

Perspectiva para a próxima década

Os pesquisadores projetam que os próximos anos devem consolidar e aprofundar o movimento de autonomia financeira entre os jovens.

A combinação de educação, trabalho formal, infraestrutura e políticas de apoio aparece como determinante para a redução sustentável da pobreza no país.





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