Flávio Bolsonaro mentiu a aliados sobre relação com Vorcaro


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mentiu, nos últimos meses, a dirigentes do Partido Liberal e a outros aliados sobre sua relação com o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, controlador do Banco Master preso por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Ele foi questionado, ao menos duas vezes, se conhecia e tinha qualquer relação, mas sempre negou. Desde que as mensagens entre ele e o banqueiro vieram à tona, o ambiente dentro do partido é de total desconfiança em relação a Flávio. A coluna apurou que desde que o escândalo eclodiu o advogado Frederick Wassef voltou a guiar as estratégias jurídicas do senador.

No início de dezembro de 2025, quando anunciou sua pré-campanha, Flávio Bolsonaro foi questionado por dirigentes do PL sobre a existência de algum relacionamento com Vorcaro e negou qualquer relação relevante. O partido já se preocupava em preparar uma defesa sobre todos os casos criminais nos quais Flávio já esteve envolvido. Meses depois, em outra conversa, o senador admitiu que o banqueiro o havia procurado para uma conversa, mas afirmou que recusou o encontro. Uma vez que as mensagens entre ele e Vorcaro vieram à tona por meio de reportagens do Intercept Brasil todos ficaram surpresos e chocados.

Nesta semana, o ICL Noticias revelou com dados do Portal da Transparência do Senado que Flávio Bolsonaro foi ressarcido com dinheiro público por viagem feita a São Paulo no dia 29 de novembro, um dia após Daniel Vorcaro voltar para casa após sua primeira prisão. O banqueiro havia tido sua prisão revogada na noite do dia anterior, 28 de novembro de 2025, por uma decisão da desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Solange Salgado da Silva.

No final da manhã de 29 de novembro, o senador embarcou em voo da Latam marcado para sair às 11h40 de Brasília para o aeroporto de Congonhas, com custo de R$ 2.216,77. Na noite do mesmo dia, retornou à capital federal em voo operado pela Azul, no valor de R$ 413,22. O encontro com o banqueiro ocorreu no mesmo dia da viagem do presidenciável do PL a São Paulo.

Desde que o senador anunciou que foi escolhido por Jair Bolsonaro (PL-RJ) para a disputa, Wassef voltou a se reaproximar de Flávio, o que preocupa interlocutores do ex-presidente e integrantes da legenda.

O advogado coleciona uma série de polêmicas, problemas e envolvimento em investigações. Em 2020, Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, foi encontrado e preso no sítio de Wassef em Atibaia em meio às investigações sobre peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no antigo gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

Além disso, em março de 2023, ele foi até os EUA recomprar um Rolex de ouro branco, presenteado à presidência da República, vendido ilegalmente pelo tenente-coronel Mauro Cid a pedido de Bolsonaro. O valor pago pelo advogado foi de U$ 49 mil.





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