A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai reforçar o alerta de que uma vitória do bolsonarismo na eleição de 2026 seria o retorno do negacionismo no Brasil, com o impacto para o clima e acesso à saúde.
Ao ICL Notícias, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, indicou que a estratégia tem como objetivo mostrar à população o impacto negativo das políticas adotadas por Jair Bolsonaro e constrastar as mortes e queda de cobertura de vacinas com uma gestão que, nos últimos três anos e meio, ampliou o acesso a remédios e serviços públicos.
Padilha, que participou nesta semana de reuniões na Organização Mundial da Saúde em Genebra, explicou que o governo deve intensificar, nas próximas semanas, operações de ampliação de acesso a saúde à população. A estratégia foi inclusive comunicada ao presidente Lula.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, a demora para a compra de vacinas contra a covid-19 e a retirada de direitos para parcelas da população significaram um abalo profundo na vida de milhões de brasileiro. Apesar de ter um dos sistemas públicos de saúde mais amplos do mundo, o Brasil se transformou num dos epicentros da contaminação do vírus da covid-19 diante da postura negacionista de Bolsonaro diante das evidências científicas.
Para a campanha eleitoral de 2026, um dos objetivos do governo é a de retomar a história do que ocorreu durante os quatro anos de Bolsonaro, as mais de 700 mil mortes na pandemia e o desmonte de direitos básicos para meninas e mulheres.
Nesta semana, em reuniões na OMS, Padilha postou como a cobertura vacinal no Brasil atingiu as maiores taxas nos últimos nove anos, recuperando a queda que havia sido registrada no governo Bolsonaro.
Outro dado apresentado pelo governo se refere ao fato de que, hoje, a taxa de cobertura de vacinas contra o HPV é cinco vezes maior que a média mundial.
O governo ainda vai levar um novo método contraceptivo com validade de três anos para mais de 1,8 milhão de adolescentes no Brasil. A experiência começou há dois anos no Rio de Janeiro em, nesse período, o número de meninas grávidas caiu de 17 mil para apenas 5 mil por ano.
Mais uma vez, o objetivo é mostrar à população o que significa, na prática, o negacionismo do bolsonarismo.
Segundo Padilha, os métodos contraceptivos tiveram forte oposição no governo da extrema direita, que alegava que o acesso aos serviços iria estimular o sexo.
Naquele momento, o método contraceptivo com validade de três anos foi dado apenas para pessoas detidas.
No governo do Distrito Federal, o serviço também era restrito até o mês passado. Mas, a partir da semana que vem, 10 mil adolescentes serão atendidas em um mutirão que será organizado pelo governo federal.
“Minha participação na eleição é não deixar o negacionismo voltar”, disse Padilha.
Outro aspecto que deve ser destacado é a recusa do bolsonarismo em reconhecer o impacto das mudanças climáticas. A estratégia da pasta da Saúde, portanto, é de mostrar a relação entre doenças e a crise ambiental.
Segundo Padilha, um em cada doze hospitais suspendeu suas atividades em 2024 por conta de uma crise climática no mundo. A Fiocruz, diz o ministro, também mostrou que o aumento da temperatura média gera um aumenta do nascimento de bebês prematuros e morbidade na gestação.
“Vetor da Doença de Chagas chegou ao Sul dos EUA, a dengue circulou na França”, destacou. Para Padilha, um dos fatores que permite a mobilização no debate climático é mostrar o impacto que esses fenômenos tem na saúde.



