Fuga de Flávio Bolsonaro vira denúncia criminal na Argentina


Jamil Chade e Cleber Lourenço

 

O uso do território da Argentina para a fuga de Flávio Bolsonaro abre uma crise política e Judicial no país vizinho. Nesta quarta-feira, a deputada Marcela Pagano anunciou que entrou com uma denúncia penal e pediu que se investigue se houve a colaboração de funcionários do estado.

Relatos indicam que Flávio teria embarcado em um vôo para o Equador, a partir de um aeroporto argentino. Do Equador, ele seguiu para os EUA, numa operação que contou com o envolvimento do governo dos EUA.

“Apresentei uma denúncia criminal junto ao Tribunal Federal de Puerto Iguazú”, disse a deputada. “Flávio Bolsonaro está proibido de sair do Brasil por determinação judicial. A imprensa relata sua entrada clandestina via Iguazú, a presença de um jato com matrícula argentina aguardando para levá-lo aos EUA e o bloqueio dessa decolagem pela ANAC. Enquanto isso, o governo alega que ele “nunca entrou”, disse.

“Se ele entrou, alguém permitiu sua entrada. Se tentaram retirá-lo por meio de um aeroporto federal, alguém fez vista grossa”, alertou.

“Solicitei a preservação das imagens das câmeras da ponte e do aeroporto, os planos de voo, as listas de passageiros e o contrato de fretamento, além da abertura de uma investigação sobre tráfico de pessoas em trânsito e prevaricação por parte de agentes públicos”, explicou.

“A fronteira argentina não é um corredor VIP para ninguém. Soberania não se negocia nem se empresta”, completou.

O pedido é para que sejam investigados os seguintes delitos:

Crimes de tráfico ilegal de pessoas em trânsito pela República Argentina;

Abuso de autoridade e descumprimento dos deveres de funcionário público;

Ela ainda pediu que seja acionada a Organização Internacional de Polícia Criminal (INTERPOL), bem como o Ministério das Relações Exteriores e a autoridade central argentina competente em matéria de cooperação penal com a República Federativa do Brasil.

Assessor de Milei estava em Puerto Iguazú durante a fuga

Outro episódio acrescenta uma dimensão política à passagem de Flávio pela Argentina. Santiago Caputo, um dos principais assessores de Javier Milei e integrante da comitiva transportada pela Baires Fly em 2023, estava em Puerto Iguazú durante o período em que o avião utilizado pelo senador brasileiro permaneceu no aeroporto da cidade.

Segundo informações publicadas nesta quarta-feira pelo jornal argentino La Política Online, Caputo chegou à região na noite de segunda-feira (26), acompanhado de um assessor próximo, em uma aeronave particular.

O jornal informou que funcionários do aeroporto identificaram sua presença e que ele permaneceu na cidade durante a terça-feira. O motivo da viagem não foi esclarecido oficialmente.

A presença de Caputo na região coincide com o período em que o Gulfstream G400 da Baires Fly aguardava a chegada de Flávio Bolsonaro. Não há, porém, comprovação de que o assessor tenha participado da contratação do avião, encontrado o senador ou prestado auxílio à operação.

A coincidência ocorre em meio a questionamentos sobre a participação de autoridades estrangeiras na saída de Flávio do Brasil.





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