Pesquisa divulgada na quinta-feira (12) pela Genial/Quaest indica que a maior parte da população não percebe impacto direto da nova isenção do IR (Imposto de Renda) para quem recebe até R$ 5 mil mensais. Segundo o levantamento, 67% afirmaram que não foram beneficiados pela medida, enquanto 30% disseram que houve benefício direto para si ou para a família. Outros 3% não souberam ou não responderam.
A isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil passou a valer a partir de 1º de janeiro de 2026. A estimativa é de que a medida beneficiará cerca de 15 a 16 milhões de brasileiros, incluindo trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas.
Quando questionados pela pesquisa sobre os efeitos da isenção na renda familiar, as respostas dos entrevistados foram as seguintes:
- 47% relataram ter sentido algum impacto;
- Dentro desses 47%, 15% avaliaram que a renda aumentou significativamente em janeiro — primeiro mês de vigência da regra;
- 32% disseram que o aumento foi modesto;
- Metade dos entrevistados (50%) afirmou não ter percebido qualquer diferença.
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Como funciona a nova faixa de isenção
Antes da implementação da isenção do IR, estimativas apontavam que contribuintes nessa faixa poderiam ter um ganho mensal de aproximadamente R$ 312,89.
A lei foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula (PT). O texto também prevê desconto progressivo para quem recebe até R$ 7.350 por mês. Acima desse valor, permanece a alíquota de 27,5%.
Impacto fiscal e compensação
Para compensar a perda de arrecadação, a nova legislação estabelece uma cobrança mínima para contribuintes de alta renda — aqueles com ganhos superiores a R$ 600 mil por ano. A alíquota incide apenas sobre o valor que exceder esse limite. Por exemplo: quem recebe R$ 600.001 anuais pagará cerca de R$ 0,10, com alíquota de 0,000017%. Já um contribuinte com renda anual de R$ 615 mil terá alíquota de 0,25%, resultando em imposto mínimo de R$ 1.537,50.
Embora o governo estime impacto relevante sobre milhões de contribuintes, os dados da pesquisa sugerem que a percepção de benefício ainda não se consolidou entre a maioria dos brasileiros. A diferença entre o alcance técnico da política e a percepção prática da população pode influenciar o debate sobre seus efeitos econômicos e políticos nos próximos meses.




