O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, concedeu, nesta sexta-feira (6), uma entrevista exclusiva ao ICL Notícias – 1ª edição. Castellanos classificou como “extremamente grave” a recente escalada de medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o país. Segundo ele, a nova ofensiva econômica promovida pelo governo norte-americano ameaça diretamente a sobrevivência da população cubana.
No final de janeiro, Donald Trump declarou emergência nacional em relação a Cuba e assinou uma ordem executiva que cria um mecanismo para impor tarifas a países que vendam ou forneçam petróleo à ilha. A medida ampliou a estratégia de isolamento econômico do governo norte-americano e reforça o discurso de confronto com o regime cubano.
“Isso aponta para um genocídio, é um atentado aberto contra o povo cubano. Imagine o que significa a impossibilidade de Cuba comprar petróleo e, além disso, a proibição expressa a qualquer país que decida soberanamente vender petróleo a Cuba, com justificativas completamente falsas e inaceitáveis”, definiu o embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos.
Para o embaixador, a medida faz parte de uma estratégia histórica dos Estados Unidos para derrubar o governo cubano. “Nós acreditamos que é um antessala de medidas que podem ser tomadas para, como eles tem expressimente declarado e dito, derubar a revolução cubana. Esse propósito eles mantém históricamente há mais de 60 anos”, completou.
Momento de tensão entre EUA e Cuba
Adolfo Curbelo Castellanos avaliou que o atual cenário representa um risco elevado, mas ressaltou a capacidade histórica de resistência do país. “É um momento muito grave e muito perigoso. Mas, a revolução cubana e Cuba inteira foram ameaçadas com armas nucleares em 1962, Cuba foi invadida por eles, sofre um bloqueio monstruoso criminoso há 67 anos. O povo cubano resistiu, com ajuda da solidariedade internacional. É um momento, sim, perigoso. Eles adotaram um medida que aponta diretamente à morte do povo cubano, afeta todo o povo”, disse.
Segundo ele, a restrição ao petróleo afeta toda a estrutura do país. “Cuba depende da importação de petróleo para geração de energia. Isso impacta não só os apagões, mas a produção de alimentos, o funcionamento dos hospitais e todos os serviços essenciais. É uma medida que aponta diretamente para a morte do povo cubano. Ainda assim, nós nos preparamos para resistir.”

Apoio e alternativas internacionais
O embaixador ressaltou que Cuba tem recebido manifestações de apoio de diversos países e blocos internacionais. “As declarações políticas contundentes são importantes, vindas dos países não alinhados, da Rússia, da China, do Vietnã, do México e de outros. Mas há também aproximações concretas, de países que já confirmaram que buscarão formas de assegurar apoio ao povo cubano”, explicou.
Segundo ele, parte dessas articulações ocorre de maneira discreta. “Há comunicações diretas, algumas não tão públicas, mas existe um movimento real de apoio. Não apenas declaratório, mas de solidariedade prática. Isso está acontecendo e continuará acontecendo”, afirmou.
Resistência popular
Adolfo Curbelo Castellanos destacou a mobilização popular em defesa da soberania cubana. “O povo cubano tem um sentimento majoritário de defesa da soberania, da independência e da Revolução. Temos muitos problemas, é verdade, como os apagões, mas o país está buscando soluções”, disse.
Entre as alternativas, o embaixador citou o aumento da produção e refino de petróleo nacional, além do investimento em energias renováveis. “Precisamos melhorar a extração e o refino do petróleo cubano, que é um processo difícil, mas necessário. Também temos que ampliar o uso de painéis solares e outras fontes renováveis, para assegurar os serviços básicos da população”, concluiu.




