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O vice-presidente, Geraldo Alckmin, disse, nesta sexta-feira (15), que o governo brasileiro decidiu não solicitar formalmente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o adiamento do início das tarifas de 50% sobre exportações brasileiras, previstas para entrar em vigor em 1º de agosto. A estratégia adotada pelo Palácio do Planalto é intensificar o diálogo com autoridades norte-americanas e buscar uma solução diplomática antes da data-limite.
O também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços realizou hoje duas rodadas de reuniões com empresários de setores da indústria e do agronegócio afetados pelas medidas. “A ideia do governo não é pedir que o prazo seja estendido, mas sim procurar resolver até o dia 31. Vamos trabalhar para reverter esse quadro nos próximos dias”, disse.
Apesar da posição oficial, empresários manifestaram preocupação com o tempo exíguo e pediram que o governo avalie um pedido de extensão do prazo antes de recorrer à chamada Lei da Reciprocidade — mecanismo que autoriza o Brasil a retaliar comercialmente países que impuserem barreiras unilaterais ao país.
Alckmin discute exportações já impactadas
Durante o encontro, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que frigoríficos brasileiros estão parando de produzir para o mercado americano diante da incerteza comercial. Ele alertou que aproximadamente 30 mil toneladas de carne bovina já foram embarcadas ou estão nos portos com destino aos Estados Unidos, representando perdas potenciais de até US$ 160 milhões.
Alckmin reconheceu a gravidade da situação, especialmente para setores de produtos perecíveis. “É uma questão importante e urgente”, destacou.
Participaram das reuniões ministros Rui Costa (Casa Civil), Carlos Fávaro (Agricultura), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Silvio Costa Filho (Portos), Mauro Vieira (Relações Exteriores), André de Paula (Pesca), Sidônio Palmeira (Comunicação Social), Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento), além de secretários de diversas pastas.
Pressão empresarial e articulação diplomática
O governo acredita que a pressão de grandes grupos empresariais dos EUA, como a US Chamber of Commerce, pode influenciar o recuo da Casa Branca. A entidade já se manifestou contra as tarifas, alertando para o impacto negativo na economia americana e na cadeia de suprimentos de pequenas e médias empresas.
Nesta quarta-feira (16), Alckmin tem agenda com representantes das câmaras de comércio Brasil-EUA e com setores industriais ainda não contemplados nas reuniões iniciais, incluindo químicos, software, cooperativas e sindicatos.
Tarifaço e tensão política
O tarifaço foi comunicado oficialmente por Trump em carta enviada ao presidente Lula no último dia 9. O documento menciona a ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal) e um suposto déficit comercial com o Brasil como justificativas para as medidas, o que é uma inverdade. A balança comercial entre os dois países é superavitária em favor dos EUA há ao menos duas décadas.
O governo brasileiro refuta as alegações e vê motivação política nas tarifas. Um relatório recente da Amcham Brasil aponta que os Estados Unidos mantiveram um superávit de US$ 1,7 bilhão em sua balança comercial com o Brasil no primeiro semestre de 2025 — um crescimento de 500% em relação ao ano anterior.
Fonte: ICL Notícias




