Greve dos Correios atrasa entregas pelo país


Sem previsão de encerramento, a greve dos trabalhadores dos Correios, que enfreta grave crise, tem provocado um efeito cascata nas entregas de encomendas em todo o país, com relatos de atrasos que já chegam a semanas, justamente no período de maior demanda do ano. A paralisação, deflagrada em 16 de dezembro, ocorre enquanto o TST (Tribunal Superior do Trabalho) analisa, nesta terça-feira (30), o dissídio coletivo entre a estatal e seus empregados.

Atualmente, agências de 13 estados operam normalmente, enquanto 17 unidades da federação — entre elas São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná — registram adesão ao movimento grevista. O impasse envolve o acordo coletivo da categoria e permanece sem solução após sucessivas rodadas de negociação.

Como consequência, consumidores enfrentam dificuldades tanto no recebimento quanto no envio de mercadorias. Há registros de encomendas despachadas no início do mês que ainda constam como “em transferência” nos sistemas de rastreamento, sem previsão de entrega, o que impacta inclusive processos de devolução e reembolso.

As reclamações também atingem serviços expressos, como o Sedex, contratados para agilizar o prazo, mas igualmente afetados pelos atrasos.

Em nota, os Correios afirmam que as agências seguem abertas e que as entregas estão sendo realizadas em regime de contingência. Segundo a estatal, cerca de 90% do efetivo permanece em atividade, com adoção de medidas como remanejamento de funcionários, mutirões e plantões em feriados e fins de semana.

A empresa informa que, em dezembro, o índice de entregas no prazo estaria em torno de 89%.

Reputação ruim no Reclame Aqui

Apesar disso, a percepção de falhas no serviço se reflete no aumento das queixas. No portal Reclame Aqui, a reputação da companhia recuou de “não recomendada”, em outubro, para “ruim”, em novembro. Nos últimos seis meses, foram registradas quase 47 mil reclamações, número que ultrapassa 105 mil no acumulado do ano, com índice de resolução de 67%.

Há ainda relatos de sobrecarga em agências do interior, especialmente onde o quadro de funcionários já é reduzido, o que limita a capacidade de manter o fluxo regular de entregas durante a paralisação.

Impasse trabalhista chega ao TST

O conflito entre trabalhadores e a direção dos Correios se arrasta há mais de cinco meses. Após a rejeição de uma nova proposta de acordo pela categoria, a negociação avançou para o dissídio coletivo, mecanismo judicial acionado quando não há consenso entre as partes.

O TST realizou audiência de conciliação e marcou o julgamento do dissídio para esta terça-feira. Paralelamente, sindicatos regionais convocaram assembleias para discutir os próximos passos do movimento. A última tentativa de acordo, mediada pelo tribunal, não foi aprovada pelas assembleias de trabalhadores.

Entre os pontos em debate está o fim do chamado ponto por exceção, previsto para entrar em vigor a partir de agosto de 2026. A cláusula permite o pagamento de horas extras quando a jornada é extrapolada, sem exigir compensação quando há saída antecipada. A direção da estatal argumenta que o modelo prejudica a produtividade e dificulta o controle da operação.

Durante o processo, o presidente do TST reiterou decisão que determina a manutenção de ao menos 80% do efetivo por agência, sob pena de multa diária às entidades sindicais em caso de descumprimento.

Plano de reestruturação

Em entrevista coletiva na segunda-feira (29), em Brasília, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a empresa ainda precisará levantar R$ 8 bilhões adicionais até 2027, mesmo após a contratação de um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco bancos, com garantia da União.

Segundo Rondon, o plano de recuperação financeira demanda até R$ 20 bilhões para restabelecer a sustentabilidade da estatal.

A forma de obtenção dos recursos restantes ainda não foi definida e pode envolver aporte direto da União ou nova rodada de financiamento bancário, a partir de 2026.

Paralelamente à captação de recursos, o plano prevê um forte ajuste de custos, com impacto estimado de R$ 7,4 bilhões positivos nas contas da empresa.

As despesas com pessoal representam atualmente 62% dos gastos totais dos Correios, o que, segundo a direção, impõe elevada rigidez orçamentária.

O plano também prevê a inclusão de até 15 mil trabalhadores no PDV (Plano de Demissão Voluntária), em 2026 e 2027, e o fechamento de até 6 mil agências.





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