Primeiro navio atracou no píer provisório na noite deste domingo; operação movimentou 266 contêineres do Fernão de Magalhães para permitir que embarcação siga mais leve até Manaus*
O Grupo Chibatão realizou, na noite deste domingo (4), a primeira operação de 2026 em seu píer provisório flutuante instalado em Itacoatiara. O navio Fernão de Magalhães, da Aliança Navegação e Logística, foi a primeira embarcação a atracar na estrutura montada na região do Tabocal, no Rio Amazonas, colocando em funcionamento uma estratégia preparada para manter o fluxo de cargas para Manaus durante o período de estiagem.
A operação começou a ser planejada meses antes da chegada do primeiro navio e passou por diferentes etapas. O píer deixou Manaus, foi deslocado até Itacoatiara, instalado e ancorado no Rio Amazonas. Agora, com a primeira atracação, começa efetivamente a fase de movimentação de cargas.
O diretor executivo do Grupo Chibatão, Jhony Fidelis, explicou que o Fernão de Magalhães chegou a Itacoatiara transportando 1.111 contêineres. Nesta primeira operação, 290 contêineres foram retirados do navio e transferidos para três balsas, reduzindo o peso da embarcação para que ela possa continuar a navegação até Manaus.
“Estamos na terceira fase da operação em Itacoatiara. A primeira foi o deslocamento do píer, a segunda foi a ancoragem de toda essa infraestrutura no Rio Amazonas e agora chegamos à atracação e à operação do navio. O Fernão de Magalhães está com 1.111 contêineres e 290 serão transbordados para três balsas. Com isso, o navio fica mais leve e consegue seguir até Manaus, enquanto as balsas também seguem transportando as cargas. É uma estratégia para que o nosso estado não pare”, explicou Jhony.
Estrutura montada para a realidade dos rios – A operação de alívio de carga é uma alternativa para os períodos em que a redução do nível dos rios impõe limitações à navegação de grandes embarcações. Parte da carga é retirada em Itacoatiara e segue em balsas, enquanto o navio, com menor calado, continua a viagem em direção a Manaus.
O píer do Grupo Chibatão está preparado para funcionar 24 horas por dia, com três guindastes destinados à movimentação dos contêineres e um equipamento de apoio. A operação mobiliza cerca de 150 profissionais, sendo 50 trabalhadores contratados em Itacoatiara.
A estrutura repete uma estratégia utilizada durante a severa estiagem de 2024, quando a operação montada pelo Grupo Chibatão em Itacoatiara movimentou quase 59 mil contêineres e contribuiu para a continuidade do transporte de matérias-primas, produtos e insumos destinados à indústria e ao comércio do Amazonas.
Para Jhony, a primeira operação de 2026 também carrega a história construída pelo fundador do Grupo Chibatão, José Ferreira de Oliveira, o Sr. Passarão, que fez da navegação e da logística parte de sua trajetória empresarial no Amazonas.
“O Grupo Chibatão se sente muito honrado e muito feliz em poder, através da sua infraestrutura, contribuir com a logística do Amazonas, assim como o nosso fundador, o Sr. Passarão, fazia. O DNA dele está vivo em cada um de nós e temos a responsabilidade de dar continuidade a esse trabalho”, afirmou.
Marinha acompanha primeira atracação – A primeira operação foi acompanhada pela Marinha do Brasil, que participou das etapas de avaliação necessárias para a instalação e funcionamento da estrutura. O capitão dos Portos da Amazônia Ocidental, André Carvalhaes, esteve em Itacoatiara durante a chegada do primeiro navio.
Segundo ele, o trabalho de segurança começou muito antes da atracação, envolvendo análises da estrutura, do deslocamento do píer, do posicionamento no rio e das condições de manobra.
“O trabalho que começa com essa primeira operação, na verdade, começou muito antes, com as análises da estrutura, a movimentação do píer até Itacoatiara e todas as avaliações de segurança realizadas pela Marinha. Agora estamos verificando o posicionamento do píer, as condições de manobra e acompanhando a primeira atracação. É uma solução muito importante para garantir a logística do nosso estado, sempre com eficiência e, principalmente, segurança para o navio, as balsas e todos os profissionais envolvidos na operação”, destacou.
Operação Aduana Flutuante – A atracação do Fernão de Magalhães também marcou o início da Operação Aduana Flutuante, da Receita Federal. A delegada-adjunta da Alfândega da Receita Federal em Manaus, Fernanda Printes, acompanhou a inspeção do píer e o início da operação.
O controle aduaneiro inclui câmeras e circuito de monitoramento, acompanhamento em tempo real e utilização de GPS nas balsas envolvidas na movimentação das cargas. Segundo Fernanda, equipes da Receita Federal permanecerão acompanhando as operações em Itacoatiara, em sistema de revezamento, até dezembro.
“Hoje estamos dando início à Operação Aduana Flutuante. Nossa equipe acompanhou a saída do píer de Manaus e agora está em Itacoatiara para realizar a inspeção da estrutura e acompanhar a atracação do primeiro navio. A Receita Federal será responsável pelo controle aduaneiro dessas operações, com acompanhamento por câmeras, monitoramento em tempo real e GPS nas balsas. A partir da próxima semana, teremos equipes se revezando aqui até dezembro para acompanhar as operações no píer”, afirmou.
Setor produtivo acompanhou início da operação – Além da Marinha do Brasil e da Receita Federal, representantes de empresas ligadas à indústria, navegação, comércio exterior e logística acompanharam a primeira operação. Estiveram presentes representantes da 2E, ES Solution, Harman, Aliança, Mercosul, Motu-Tupã, DSV, Honda e Maersk, além de profissionais de imprensa.
A presença de diferentes integrantes da cadeia logística marcou o início de uma operação que depende da integração entre terminal, armadores, órgãos de fiscalização, navegação e empresas para que as cargas continuem chegando ao seu destino mesmo diante das dificuldades impostas pela vazante.
Com a atracação do Fernão de Magalhães e o início do transbordo, o píer provisório entra definitivamente em operação em 2026. A estrutura permanecerá em Itacoatiara acompanhando as condições de navegabilidade e pronta para atender às necessidades da cadeia logística durante a estiagem.
Depois da experiência de 2024, o Grupo Chibatão volta a colocar sua infraestrutura no Rio Amazonas como alternativa para manter navios, balsas e cargas em movimento e reduzir os impactos da vazante sobre a indústria, o comércio e o abastecimento do estado.





