O Grupo Fictor protocolou no domingo (1º) pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), com dívida estimada em aproximadamente R$ 4 bilhões. A iniciativa ocorre meses após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, episódio que, segundo a companhia, foi determinante para a deterioração de sua liquidez.
Um consórcio liderado por um dos sócios do grupo havia anunciado, um dia antes da liquidação do Master pelo BC, uma proposta para aquisição e transferência de controle do Banco Master.
A decretação da liquidação, no entanto, inviabilizou a operação e, de acordo com a Fictor, desencadeou uma sequência de especulações e notícias negativas que impactaram diretamente a holding e sua subsidiária Fictor Invest.
Empresa nega histórico de inadimplência
Em nota, o grupo afirma que a crise teve início em 18 de novembro do ano passado, data da decisão do Banco Central, e classifica o problema como uma “crise de liquidez momentânea”. Até então, segundo a empresa, não havia registros de atrasos no cumprimento de obrigações financeiras desde o início das operações.
No pedido apresentado à Justiça, a Fictor solicita tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um prazo inicial de 180 dias, mecanismo previsto na legislação de recuperação judicial. O objetivo é criar espaço para a negociação de um plano de reestruturação sem a pressão de cobranças individuais.
Foco em reorganização financeira
A companhia afirma que a intenção é quitar integralmente os débitos, sem previsão de deságio, e renegociar prazos e condições principalmente com os sócios participantes, que concentram a maior parte dos créditos.
Segundo a Fictor, a recuperação judicial é vista como essencial para garantir a continuidade das atividades e preservar mais de 10 mil empregos diretos e indiretos.
Como parte da resposta à crise, o grupo implementou um plano de reestruturação antes mesmo do pedido de recuperação, com redução da estrutura física e do quadro de colaboradores. A empresa sustenta que as medidas buscaram assegurar os direitos trabalhistas e acelerar o pagamento das indenizações.
Subsidiárias operacionais ficam fora do processo
Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua em diferentes setores, como indústria de proteína animal, energia, infraestrutura, real estate e meios de pagamento. De acordo com o advogado Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados, responsável pela coordenação do pedido, os ativos operacionais seguem em funcionamento.
“O pedido de recuperação não inclui as subsidiárias operacionais, justamente para evitar impactos sobre empresas economicamente viáveis”, afirma Deneszczuk.
A principal delas, a Fictor Alimentos S.A., mantém unidades em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, com cerca de 3.500 empregos diretos e aproximadamente 10 mil indiretos, além de uma carteira diversificada de clientes.
Segundo o advogado, a estratégia busca preservar fornecedores, clientes e postos de trabalho enquanto a reestruturação financeira ocorre no nível corporativo da holding.
O que é o Grupo Fictor
Trata-se de uma holding de participações e gestão de empresas com foco em setores como agronegócio, serviços financeiros e infraestrutura.
A holding brasileira foi fundada em 2007, em São Paulo, e comandada por seu sócio-fundador e CEO, Rafael Góis.
Criada originalmente como uma startup de tecnologia, a empresa passou por um reposicionamento em 2020 e se transformou em uma companhia de investimentos e gestão de ativos (private equity), com foco em setores considerados estratégicos da economia.
O Grupo Fictor havia acertado a compra do Master ao lado de um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos.




