O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta terça-feira (3), em entrevista à Band News, ter indicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o atual secretário de Política Econômica da pasta, Guilherme Mello, para assumir uma das diretorias do Banco Central (BC). No entanto, Haddad ressaltou que a decisão final ainda depende do presidente.
Haddad criticou o vazamento da informação pela imprensa. “De lá para cá, não voltamos a conversar. E três semanas atrás, ele [Lula] disse para mim que ia nos chamar para conversar, mas não tomou a decisão. O vazamento, se a pessoa quis ajudar, não ajudou. Se quis atrapalhar, agiu mal para os envolvidos”, afirmou. Segundo o ministro, a indicação foi feita há três meses.
Nesta terça-feira (3), o economista e fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Eduardo Moreira, criticou a reação da grande imprensa na véspera à indicação. “Esses veículos orquestraram um ataque coordenado, covarde e feroz, dizendo que acendeu alerta vermelho no mercado, tendo como principal argumento a interferência política no Banco Central. Desculpa aí, mas é até engraçado ouvir isso”, ironizou Moreira.
Para o mercado, Mello tem perfil desenvolvimentista, o que significa ser a favor de cortes mais rápidos na taxa básica de juros (Selic), visão que, na avaliação de Eduardo Moreira, não faz sentido algum, uma vez que Mello teve um papel irretocável em sua passagem pelo Ministério da Fazenda.
Além de Mello, Haddad indicou também Tiago Cavalcanti, professor catedrático da Universidade de Cambridge, para outra diretoria do BC.
Quem é Guilherme Mello
Mello é graduado em Ciências Sociais pela USP e em Ciências Econômicas pela PUC-SP, mestre em Economia Política pela PUC-SP e doutor em Ciência Econômica pela Unvirsidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde é professor desde 2015 e foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Econômico do Instituto de Economia dessa universidade.
Por sua vez, Cavalcanti é formado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com mestrado e doutorado pela Universidade de Illinois.
As vagas para diretorias do BC surgiram após a saída, no início deste ano, de Renato Gomes e Diogo Guillen, indicados na gestão de Jair Bolsonaro. Com a autonomia do Banco Central, aprovada em 2021, presidentes e diretores têm mandatos fixos de quatro anos e não podem ser substituídos antes do término.
Das nove cadeiras do BC, estão sendo ocupadas de forma interina as posições deixadas por Diogo Guillen e Renato Gomes, respectivamente, nas diretorias de Política Econômica (Dipec) e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução (Diorf). Mello estaria cotado para substituir Guillen.
A atual diretoria já conta com a maioria dos membros indicada pelo governo Lula desde 2025. Apesar disso, críticas às decisões do BC, principalmente relacionadas à taxa de juros, ainda surgem de integrantes do governo.
Na ocasião do anúncio das indicações, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, evitou comentar sobre nomes: “Tenho por orientação não entrar na prerrogativa do presidente. Perfil, quando o presidente vai comunicar isso, não cabe ao BC falar”, disse.
Papel estratégico
O cargo de diretor de Política Econômica é considerado chave na definição da Selic, atualmente no maior nível em quase 20 anos. Entre suas funções, estão:
- Apresentar cenários macroeconômicos e projeções nas reuniões do Copom;
- Propor diretrizes de política monetária e sugerir níveis para a taxa de juros;
- Coordenar a elaboração do Relatório de Política Monetária, notas do Copom (Comitê de Política Monetária) e comunicados oficiais;
- Participar de entrevistas e apresentações trimestrais sobre a política de juros junto ao presidente do BC.
Na ata da última reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira, o Banco Central indicou que o corte da Selic poderá iniciar em março, no próximo encontro do Copom, tornando a escolha do novo diretor ainda mais estratégica para o futuro da política monetária.




