Haddad: Negociações com EUA avançam


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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (30) que as negociações com os Estados Unidos para tentar reverter o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump continuam em andamento e apresentaram avanços nesta semana. A sobretaxa de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos EUA deve entrar em vigor nesta sexta-feira, 1º de agosto, mas Haddad frisou que, mesmo com a aplicação da medida, o governo brasileiro seguirá buscando um acordo.

“Independentemente da decisão que for tomada no dia 1º, ela não vai significar o fim. É o começo de uma conversa”, declarou o ministro, após reunião no Ministério da Fazenda.

Segundo Haddad, tanto ele quanto o vice-presidente Geraldo Alckmin estão dispostos a viajar para Washington, desde que haja uma “agenda estruturada” com autoridades americanas.

O Brasil ainda aguarda um gesto formal da Casa Branca para iniciar um diálogo direto e de alto nível. As conversas com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, vêm ocorrendo, mas o governo brasileiro aposta na retomada das tratativas com Jamieson Greer, principal responsável por costurar acordos comerciais no gabinete de Trump.

Haddad: governo prepara plano emergencial para empresas afetadas

Enquanto aguarda uma definição diplomática, o governo Lula também discute medidas de apoio às empresas e trabalhadores impactados pela medida. Segundo Haddad, uma das alternativas em estudo é um programa de manutenção de empregos nos moldes do que foi aplicado durante a pandemia de Covid-19, em que o governo ajudava a custear salários em troca da preservação de vagas.

“Entre os vários cenários, há um que estabelece algo assim… Mas não sei qual cenário o presidente vai escolher, por isso não posso adiantar as medidas que serão anunciadas por ele. Quem vai decidir a escala, montagem, oportunidade e conveniência é o presidente”, disse o ministro.

De acordo com a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), cerca de 10 mil empresas brasileiras exportam regularmente para os EUA e podem ser afetadas pela nova tarifa. Juntas, essas empresas empregam aproximadamente 3,2 milhões de pessoas.

Sobretaxa tem motivação política, avalia governo

Haddad voltou a classificar a tensão comercial como “artificial” e sugeriu que ela foi estimulada por grupos brasileiros alinhados a interesses políticos nos EUA. “Essa tensão vai se dissipar. Quando ela se dissipar, a racionalidade vai conduzir os trabalhos e vamos chegar a um denominador comum”, declarou.

A nova tarifa foi anunciada por Donald Trump no início de julho e oficializada por carta enviada ao presidente Lula. Na justificativa, o governo norte-americano alegou “relacionamento ruim” com países que, segundo Trump, não têm cooperado com os interesses comerciais dos EUA — sem citar diretamente o Brasil.

A retaliação, no entanto, coincide com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o que adicionou um componente político delicado à disputa.





Fonte: ICL Notícias

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