O pregão desta terça-feira (16) foi marcado por um azedume intenso na Bolsa brasileira. O Ibovespa recuou 2,42% e encerrou o dia aos 158.557,57 pontos, após perder cerca de 3,9 mil pontos e tocar a mínima da sessão.
O clima negativo também atingiu o câmbio. O dólar comercial avançou 0,73%, cotado a R$ 5,463, acumulando a terceira alta consecutiva. Já os juros futuros (DIs) subiram ao longo de toda a curva, refletindo a piora na percepção de risco.
Parte relevante desse pessimismo veio da ata do Copom, divulgada hoje, que detalhou a última reunião do Banco Central. Na ocasião, a Selic foi mantida em 15%. Embora o tom do documento tenha sido considerado um pouco mais brando do que o comunicado inicial, analistas avaliaram que o BC segue cauteloso e distante de sinalizar cortes iminentes na taxa básica.
O mau humor não ficou restrito ao cenário doméstico. Nos Estados Unidos, Wall Street reagiu negativamente aos dados de emprego divulgados no dia. A criação de vagas acima do esperado reacendeu dúvidas sobre a continuidade dos cortes de juros pelo Federal Reserve, já que o mercado de trabalho segue sendo a principal variável observada pela autoridade monetária americana.
Apesar de alguns sinais de moderação, como o avanço da participação na força de trabalho e a alta mais contida dos salários, os principais índices em Nova York fecharam majoritariamente em queda. Na Europa, o sentimento foi semelhante, com bolsas operando no vermelho.
Apesar do dia amargo, algumas projeções continuam positivas para o futuro. O Banco Safra, por exemplo, passou a ver o Ibovespa em 198 mil pontos em 2026, mesmo considerando os riscos eleitorais. Já o JPMorgan adota uma postura mais cautelosa, avaliando que o mercado pode estar subestimando incertezas relevantes.
Petrobras e bancos pressionam o Ibovespa
No noticiário corporativo, a Petrobras foi um dos principais pesos negativos do dia. As ações da estatal caíram mais de 3%, em meio à nova queda do petróleo no mercado internacional — que atingiu o menor nível desde 2021 — e ao avanço da greve dos petroleiros, que já afeta plataformas e refinarias. Ainda assim, analistas mantiveram recomendação de compra.
Os bancos também contribuíram de forma significativa para a queda do índice. Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander registraram perdas expressivas, refletindo o ambiente de juros elevados e maior aversão ao risco.
Frigoríficos acompanharam o movimento negativo, com baixas relevantes entre as principais companhias do setor.
Poucas ações conseguiram escapar do clima pesado. A Vale avançou levemente, apoiada pela alta do minério de ferro, enquanto a Embraer também fechou em terreno positivo. A Petz subiu com o mercado repercutindo novidades sobre o processo de fusão com a Cobasi, cujo fechamento final está previsto para o início de janeiro.
Com informações da InfoMoney




