O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (29) em queda de 0,84%, aos 183.133,75 pontos, após renovar a máxima histórica pela manhã e alcançar, pela primeira vez, o patamar dos 186 mil pontos. O movimento refletiu principalmente a realização de lucros após uma sequência de recordes, combinada à piora do humor em Wall Street ao longo do dia.
No câmbio, o real oscilou, mas se fortaleceu no fechamento: o dólar comercial recuou 0,22%, a R$ 5,194. Os juros futuros também alternaram sinais, mas terminaram o pregão em queda por toda a curva.
O otimismo inicial foi impulsionado pelo comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que manteve a Selic em 15% ao ano, mas sinalizou o início do ciclo de cortes em março, elevando apostas para uma redução de até 0,50 ponto percentual. Apesar do tom ainda cauteloso em relação à inflação, a perspectiva de juros mais baixos sustentou a abertura em alta da Bolsa.
A euforia, porém, durou pouco. A virada dos mercados estadunidenses pesou sobre os ativos locais, especialmente os grandes bancos, que lideraram as perdas e puxaram o índice para baixo.
Em sentido oposto, Vale e Petrobras avançaram, beneficiadas, respectivamente, pela valorização do minério e pela alta do petróleo no mercado internacional.
Mercado externo
Wall Street operou sob pressão com o avanço do risco de um novo shutdown nos EUA, após o Senado barrar um pacote de gastos, reacendendo incertezas fiscais. O Federal Reserve, o banco central estadunidense, afirmou que a paralisação prejudicou a leitura dos dados econômicos, aumentando o ruído para a política monetária. Em meio ao cenário defensivo, o ouro subiu pela oitava sessão seguida, enquanto as bolsas europeias fecharam sem direção única. O principal foco negativo, porém, foram as big techs. A Microsoft despencou cerca de 12%, arrastando o Nasdaq, após indicar desaceleração no crescimento da computação em nuvem. O movimento reforçou temores sobre impactos da inteligência artificial no modelo de negócios do setor.
O Dow Jones subiu 0,11%, aos 49.071,56 pontos; o S&P 500 caiu 0,13%, aos 6.969,01 pontos; e o Nasdaq também fechou no negativo, em -0,72%, aos 23.685,12 pontos.




