Ibovespa quebra recorde histórico e emplaca 15 pregões consecutivos de alta


O Ibovespa segue imbatível. Já são 15 pregões consecutivos de valorização, sequência que o mercado brasileiro não via desde junho de 1994, antes mesmo da criação do real.

O índice subiu 1,60% nesta terça-feira, encerrando o dia aos 157.748 pontos, um avanço de 2.491 pontos — o suficiente para registrar a primeira vez na história que o Ibovespa fecha na casa dos 157 mil. Curiosamente, o índice não chegou a encerrar nenhum pregão na faixa dos 156 mil; saltou diretamente dos 155 mil para o novo patamar recorde.

Além do fechamento histórico, o índice também renovou sua máxima intradia, alcançando 158.467 pontos, marca inédita no mercado brasileiro.

A valorização da Bolsa veio acompanhada de um movimento positivo no câmbio. O real teve o quinto dia seguido de ganhos, enquanto o dólar comercial recuou 0,64%, cotado a R$ 5,27. Os juros futuros também caíram em toda a curva, refletindo o maior apetite por risco.

A maré positiva poderia ter acontecido mesmo sem os recordes. Logo pela manhã, o Banco Central divulgou a ata da última reunião do Copom, que manteve a Selic em 15%, mas trouxe sinais mais brandos sobre o futuro da política monetária.

Parte do mercado passou a considerar possível um início de cortes de juros já em janeiro, e não apenas em março, como se esperava.

Inflação surpreende positivamente

Outro fator que sustentou o otimismo foi o IPCA de outubro, que mostrou desaceleração e reforçou a expectativa de que a inflação encerrará 2025 dentro da meta.

A variação mensal foi de 0,09%, a menor desde 1998, destacou Pablo Spyer, conselheiro da Ancord. Para ele, a combinação entre valorização do real e estabilidade de custos de produção contribui para o controle inflacionário. Atualmente, a projeção de inflação está em 4,46% para 2025.

O cenário internacional também ajudou. Nos Estados Unidos, o Senado aprovou um acordo para encerrar o shutdown mais longo da história, o que anima os investidores globais. Agora, a proposta segue para votação na Câmara dos Representantes.

Mesmo assim, os principais índices de Wall Street fecharam mistos, com destaque negativo para o Nasdaq, pressionado por novas preocupações sobre o setor de tecnologia. Na Europa, as bolsas encerraram em alta.

A tensão no setor tech aumentou após Michael Burry, o investidor retratado no filme A Grande Aposta, acusar grandes empresas americanas de inflar artificialmente seus lucros com inteligência artificial por meio de práticas contábeis duvidosas.

Destaques do Ibovespa: Braskem dispara e Natura despenca

Entre as ações brasileiras, o destaque ficou por conta da Braskem (BRKM5), que disparou 18,04%. Apesar de apresentar resultados fracos no terceiro trimestre, o papel reagiu aos rumores de que a Novonor está próxima de fechar a venda de sua participação para a gestora IG4 Capital.

A notícia veio acompanhada da confirmação de um acordo com o governo de Alagoas, no valor de R$ 1,2 bilhão, referente às indenizações pelos danos provocados pelo afundamento do solo em Maceió.

Outros papéis também tiveram desempenho expressivo:

Movida (MOVI3) subiu 15,93% após apresentar um resultado trimestral acima das expectativas.
MBRF (MBRF3) valorizou 8,15%, impulsionada pela reabertura do mercado chinês ao frango brasileiro.
Na contramão, Natura (NATU3) desabou 15,65%, após divulgar resultados piores do que o esperado.

Blue chips: Petrobras, bancos e Vale sustentam Ibovespa

As ações da Petrobras (PETR4) avançaram 2,60%, acompanhando a alta internacional do petróleo e contribuindo significativamente para a valorização do Ibovespa.

Os bancos também tiveram forte desempenho, com todas as principais instituições subindo mais de 2%. O Banco do Brasil (BBAS3) foi o destaque, com alta de 3,03%.

A Vale (VALE3) teve leve queda de 0,26%, acompanhando a estabilidade do minério de ferro.

O que vem pela frente

O mercado agora volta suas atenções para dois temas: a votação final do acordo que encerra o shutdown americano e os temores de uma possível bolha de inteligência artificial.

Enquanto isso, os investidores se perguntam: será que o Ibovespa conseguirá estender a sequência histórica e alcançar 16 pregões seguidos de alta?





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