O Ibovespa voltou a registrar uma queda expressiva nesta sessão, recuando 0,79% e encerrando aos 157.327,26 pontos, o que representa uma perda de 1.250,26 pontos. O movimento negativo vem na esteira do tombo de 2,42% observado no pregão anterior e reflete um ambiente de elevada apreensão, tanto no cenário doméstico quanto no internacional.
O clima de nervosismo não ficou restrito ao mercado acionário. O dólar comercial voltou a subir com força, avançando 1,09%, para R$ 5,522. Já os juros futuros (DIs) tiveram alta em toda a curva, reforçando a percepção de estresse generalizado entre os investidores.
Um dos pontos de atenção foi Flávio Bolsonaro como o nome mais bem avaliado da direita em pesquisa recente da Quaest, superando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, embora ainda distante de ameaçar a liderança do presidente Lula.
A relação entre o mercado e o governo federal segue marcada por desconfiança, especialmente em relação à condução fiscal. A aprovação, pelo Congresso, de um projeto que prevê corte de incentivos e aumento de tributação sobre apostas, para variar, não foi suficiente para melhorar o humor dos agentes.
Exterior aumenta a aversão ao risco
No cenário internacional, as tensões se intensificaram. Wall Street fechou em queda, com destaque negativo para as ações da Oracle. O papel perdeu força após o Financial Times noticiar que a Blue Owl Capital não conseguiu viabilizar o financiamento de um data center de US$ 10 bilhões da companhia em Michigan, em meio a preocupações com endividamento e nível de investimentos.
As questões fiscais também voltaram ao centro do debate nos Estados Unidos. Diante de pesquisas que indicam insatisfação do eleitorado, Donald Trump acenou com a possibilidade de pagamentos em dinheiro para melhorar a percepção sobre a economia.
Outro foco de instabilidade veio da América do Sul. Trump afirmou que a Venezuela estaria “completamente cercada pela maior armada já reunida na história da região”, declaração que gerou reação dura da Rússia. O temor de uma escalada no conflito fez os preços do petróleo subirem, aumentando ainda mais a cautela dos mercados globais.
Para completar o quadro, investidores aguardam a divulgação da inflação ao consumidor nos Estados Unidos referente a novembro, um dado tradicionalmente capaz de mexer com expectativas e aumentar a volatilidade.
Destaques do Ibovespa
No Brasil, a queda do Ibovespa só não foi maior graças ao desempenho positivo de alguns pesos-pesados. A Vale (VALE3) avançou 1,27%, enquanto a Petrobras (PETR4) subiu 1,11%, acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional.
As petroleiras de menor porte também tiveram desempenho favorável. A PRIO (PRIO3) registrou leve alta de 0,05%, e a Brava Energia (BRAV3) disparou 3,69%, impulsionada por projeções de investimentos superiores a US$ 500 milhões em 2026.
Fora do índice, a Azul (AZUL4) conseguiu interromper a sequência negativa e fechou estável, após duas sessões de fortes quedas. Os acionistas aprovaram mudanças no estatuto para viabilizar o plano de reestruturação da companhia.
Por outro lado, os grandes bancos lideraram as perdas do dia. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 0,74%, Bradesco (BBDC4) recuou 0,82%, Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 0,89% e Santander (SANB11) cedeu 0,60%. A B3 (B3SA3) voltou a despencar, com baixa de 3,43%.
O setor de varejo também sofreu: Magazine Luiza (MGLU3) caiu 3,16%, enquanto Lojas Renner (LREN3) recuou 3,59%.
Com informações da InfoMoney




