Ibovespa recua novamente em meio a incertezas sobre conflito no Oriente Médio e cenário de juros


O mercado financeiro iniciou a semana em clima de cautela. O Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira (8) em queda de 0,21%, aos 168.668 pontos, refletindo as preocupações dos investidores com a evolução do conflito no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre a inflação global e a política monetária das principais economias.

No mercado de câmbio, o dólar comercial avançou 0,45%, encerrando o dia cotado a R$ 5,18. Já os contratos de juros futuros registraram alta em toda a curva, sinalizando maior preocupação com o cenário inflacionário nos próximos meses.

As atenções do mercado continuam voltadas para os desdobramentos da crise envolvendo Irã e Israel. Ao longo do dia, houve novos episódios de hostilidade entre os dois países, aumentando os temores de uma escalada mais ampla do conflito na região.

Apesar de sinais de contenção por parte dos envolvidos, o cenário permanece cercado de incertezas. O principal receio dos investidores é que a instabilidade afete o fornecimento global de energia, especialmente após as preocupações relacionadas ao Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo.

Como consequência, os preços do petróleo chegaram a subir mais de 4% durante a sessão, embora tenham desacelerado ao longo do dia e encerrado em alta moderada.

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários tiveram desempenho misto. O mercado segue avaliando os impactos econômicos do conflito e os riscos de uma inflação mais persistente.

Analistas destacam que a combinação entre preços elevados de energia, mercado de trabalho resiliente e atividade econômica ainda aquecida pode dificultar futuros cortes de juros pelo Federal Reserve.

A expectativa agora se concentra nas próximas reuniões da autoridade monetária americana, que poderão trazer novas sinalizações sobre o rumo da política monetária nos próximos meses.

No cenário doméstico, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central elevou novamente as projeções para a taxa Selic em 2026, que passou para 13,5% ao ano.

O mercado acompanha com atenção a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a próxima semana, em meio ao aumento das expectativas inflacionárias e à deterioração do ambiente internacional.

Apesar do momento de maior aversão ao risco, instituições financeiras continuam vendo potencial para recuperação da bolsa brasileira no médio prazo. Analistas apontam que os ativos brasileiros passaram a negociar com descontos relevantes após várias semanas consecutivas de queda, o que pode abrir espaço para uma retomada quando houver melhora do ambiente global.

Destaques do Ibovespa

Entre os destaques negativos do pregão, as ações da Vale recuaram 0,86%, contribuindo para o desempenho negativo do principal índice da bolsa brasileira.

Os grandes bancos também pesaram sobre o mercado. Bradesco caiu 1,49%, Itaú Unibanco recuou 0,85% e Banco do Brasil perdeu 0,31%. Apenas o Santander registrou leve alta, de 0,07%.

Na ponta positiva, Petrobras avançou 0,64%, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. Embraer subiu 1,58%, enquanto Braskem ganhou 1,03% após avanços relacionados ao processo de mudança de controle da companhia.

Já a Cyrela registrou alta de 1,82%, impulsionada pela aprovação de um novo programa de recompra de ações.

 





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