Índices futuros dos EUA recuam antes dos dados de emprego


Os índices futuros de Wall Street operam em queda nesta terça-feira (16), aprofundando as perdas registradas na véspera. O movimento reflete a cautela dos investidores às vésperas da divulgação do relatório de empregos dos Estados Unidos (payroll) referente a novembro, considerado decisivo para as expectativas sobre os juros no próximo ano.

Além dos números mais recentes do mercado de trabalho, o relatório trará também uma estimativa do payroll de outubro, cuja divulgação foi adiada em razão da paralisação do governo federal norte-americano.

De acordo com projeções do consenso LSEG, a economia dos EUA deve ter criado cerca de 40 mil vagas em novembro, número bem inferior às 119 mil vagas abertas em setembro. A taxa de desemprego, por sua vez, deve permanecer em 4,4%, sem alterações relevantes. O dia também reserva a divulgação dos dados de vendas no varejo de outubro.

Esses indicadores ganham ainda mais relevância por antecederem outro dado importante: o índice de preços ao consumidor (CPI) de novembro, que será conhecido na quinta-feira. Juntos, payroll e inflação fazem parte do conjunto de informações que, segundo o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, será fundamental para a decisão sobre a taxa de juros na reunião de janeiro.

Brasil

O Ibovespa iniciou a última semana cheia do ano em tom positivo e registrou uma alta expressiva de 1,07%, encerrando o pregão aos 162.481,74 pontos. Ao longo do dia de ontem (15), o índice chegou a superar a marca dos 163 mil pontos, refletindo o apetite do investidor por ativos de risco diante de um cenário de juros em queda no radar.

No mercado de câmbio, o dólar comercial chegou a operar em baixa pela manhã, mas mudou de direção durante a tarde e fechou com valorização de 0,23%, cotado a R$ 5,423. Já os juros futuros (DIs) recuaram ao longo de toda a curva, sinalizando uma leitura mais favorável para a política monetária à frente.

Estados Unidos

O setor de tecnologia liderou as perdas na sessão anterior, pressionado pelas incertezas em torno da inteligência artificial. Empresas de grande porte, como Oracle e Broadcom, seguem sentindo os efeitos de balanços considerados abaixo do esperado na semana passada.

Desempenho dos futuros nesta manhã:

Dow Jones Futuro: -0,27%
S&P 500 Futuro: -0,48%
Nasdaq Futuro: -0,72%

Ásia-Pacífico

Os mercados asiáticos encerraram o pregão majoritariamente em baixa, acompanhando o tom negativo de Nova York. Investidores continuaram reduzindo exposição a ações ligadas à inteligência artificial.

Na Austrália, dados preliminares do índice de gerentes de compras (PMI) indicaram desaceleração da atividade empresarial em dezembro. O PMI composto recuou para 51,1, ante 52,6 no mês anterior.

Principais índices:

Shanghai SE (China): -1,11%
Nikkei (Japão): -1,56%
Hang Seng (Hong Kong): -1,54%
Nifty 50 (Índia): -0,42%
ASX 200 (Austrália): -0,42%

Europa

As bolsas europeias também operam no campo negativo. O foco está nos dados salariais do Reino Unido, que antecedem a decisão de política monetária do Banco da Inglaterra, marcada para quinta-feira. O mercado avalia a possibilidade de o presidente da instituição, Andrew Bailey, adotar um tom mais favorável a um corte de juros.

Os PMIs europeus de dezembro também estão no radar e devem oferecer pistas importantes sobre o cenário econômico do continente para o próximo ano.

Mercados europeus:

STOXX 600: -0,16%
DAX (Alemanha): -0,57%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,16%
CAC 40 (França): -0,05%
FTSE MIB (Itália): +0,10%

Petróleo

Os preços do petróleo seguem em queda, ampliando as perdas da sessão anterior. O mercado avalia a possibilidade de avanços em um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, o que poderia resultar em flexibilização das sanções ao petróleo russo.

Petróleo WTI: -1,06%, a US$ 56,22 o barril
Petróleo Brent: -1,01%, a US$ 59,95 o barril

Agenda

A agenda econômica desta terça-feira (16) é marcada pela divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos (payroll), com dados referentes a outubro e novembro, que haviam sido adiados devido à paralisação do governo norte-americano. O mercado acompanha os números de perto por seu impacto direto nas expectativas para a política monetária do Federal Reserve.

Segundo estimativas do consenso LSEG, a economia dos EUA deve ter criado cerca de 40 mil vagas em novembro, número significativamente menor do que as 119 mil vagas abertas em setembro. A taxa de desemprego, por sua vez, deve permanecer em 4,4%, sem variações em relação ao mês anterior.

Além do mercado de trabalho, os investidores também avaliam a divulgação dos dados de vendas no varejo de outubro e dos índices de gerentes de compras (PMIs) dos setores de serviços e da indústria, que ajudam a medir o ritmo da atividade econômica.

Na segunda-feira, as apostas do mercado indicavam 77,9% de probabilidade de o Fed manter os juros na faixa entre 3,50% e 3,75% na reunião de janeiro. Já a chance de um corte de 25 pontos-base era de 22,1%, de acordo com a ferramenta CME FedWatch.

No cenário doméstico, as atenções se voltam para a divulgação da ata da última reunião do Copom, que pode trazer sinais mais claros sobre os próximos passos da política monetária. Um discurso mais brando por parte do Banco Central aumentaria as apostas em um corte da Selic já no próximo mês. Em Brasília, a pauta econômica segue em evidência com a votação dos benefícios fiscais prevista para hoje na Câmara dos Deputados.

Na véspera, o Banco Central informou que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) registrou queda de 0,2% em outubro frente a setembro, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou abaixo da projeção mediana dos economistas consultados pela Reuters, que apontava crescimento de 0,10%.

O desempenho do IBC-Br reforça a leitura de que a economia brasileira vem perdendo fôlego, argumento utilizado por analistas que defendem uma redução da taxa básica de juros já na reunião de janeiro. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano.

Com informações da InfoMoney

 





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