Inflação medida pelo IGP-10 acelera em janeiro


A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) avançou 0,29% em janeiro, acima da variação de 0,04% observada em dezembro. No acumulado do ano, o indicador também subiu 0,29%, enquanto nos últimos 12 meses apresentou queda de 0,99%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

Em comparação, em janeiro de 2025, o IGP-10 havia registrado alta de 0,53% no mês e acumulava aumento de 6,73% em 12 meses.

“O Índice de Preços ao Produtor (IPA) foi influenciado principalmente pelo segmento de extração mineral, liderado pelo minério de ferro, e pelos combustíveis, em especial o etanol, que subiu 4,59% devido ao menor estoque e à demanda firme no período de entressafra. No consumidor, o início do ano letivo elevou os preços do grupo Educação, enquanto os alimentos apresentaram aceleração. Já a construção sentiu o impacto dos reajustes salariais e acordos coletivos, além do repasse do aumento no preço do cobre”, explicou Matheus Dias, economista do FGV Ibre.

IPA-10: produtores sentem aceleração

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10) subiu 0,24% em janeiro, revertendo a queda de 0,03% registrada em dezembro. Entre os estágios de processamento:

  • Bens Finais: recuou de 0,12% para -0,26%.
  • Bens Intermediários: acelerou de 0,06% para 0,40%.
  • Matérias-Primas Brutas: passou de queda de 0,18% em dezembro para alta de 0,48%.

Quando excluídos subgrupos específicos, como alimentos in natura e combustíveis, as tendências se mantêm semelhantes, mostrando uma pressão maior em insumos e matérias-primas.

IPC ao consumidor sobe 0,39%

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,39% em janeiro, acima dos 0,21% de dezembro. Das oito classes de despesa analisadas, cinco apresentaram aumento: Vestuário, Alimentação, Transportes, Despesas Diversas e Saúde e Cuidados Pessoais. Por outro lado, Educação, Leitura e Recreação, Habitação e Comunicação desaceleraram.

“A maior pressão veio da alimentação, com alta de 3,49%, principalmente alimentos in natura, afetados pelo clima e pelo período de entressafra. Os reajustes das mensalidades escolares e a alimentação fora do domicílio também contribuíram para a aceleração do IPC”, detalhou Dias.

INCC sobe 0,47% e impacta setor da construção

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,47% em janeiro, acima dos 0,22% do mês anterior. Entre os componentes:

  • Materiais e Equipamentos: 0,26% (+0,08 ponto em relação a dezembro)
  • Serviços: 0,09% (-0,06 ponto)
  • Mão de Obra: 0,78% (+0,50 ponto)
  • O aumento nos custos reflete principalmente reajustes salariais e acordos coletivos.

Cenário de inflação mais moderada em 2026

Apesar da aceleração nos três indicadores que compõem o IGP-10, a inflação atual é mais contida do que no início de 2025. Segundo Matheus Dias:

  • O IPA avançou 0,24% em janeiro, comparado a 0,57% no mesmo mês do ano passado.
  • O IPC subiu 0,39%, acima dos 0,26% de janeiro de 2025.
  • O INCC desacelerou, de 0,55% para 0,47%.

“Entramos em 2026 com preços mais baixos e cenário internacional mais favorável, especialmente para combustíveis e commodities. A expectativa é que a inflação permaneça moderada ao longo do ano, embora alguns itens, como serviços e alimentação, ainda apresentem volatilidade”, afirmou o economista.





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