Irã anuncia que aceitou ‘princípios’ para negociar acordo com EUA


Depois de semanas de uma intensa pressão por parte do governo de Donald Trump, autoridades iranianas anunciaram nesta terça-feira que aceitaram os princípios apresentados pelos EUA para as negociações entre os dois países.

As delegações de Teerã e de Washington se reuniram em Genebra, na esperança de que haja um espaço para uma decisão que evite um conflito armado.

Num declaração, o Irã afirmou que concordou com os “princípios de base” apresentados pelos EUA e que poderiam levar um “potencial” acordo.

“O caminho para um acordo começou”, disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. Segundo ele, porém, o progresso alcançado nas negociações não significa que seu país chegará em breve a um acordo com Washington sobre o programa nuclear de Teerã.

“Posso dizer que, em comparação com a última rodada, tivemos discussões muito sérias e houve uma atmosfera construtiva, na qual trocamos nossos pontos de vista”, disse, ao final do encontro.

“Essas ideias foram discutidas e chegamos a alguns acordos e princípios fundamentais. E, com base nesses princípios, eventualmente elaboraremos um documento. Temos esperança de que possamos alcançar isso. Quando chegarmos à fase de elaboração de um documento, naturalmente o processo ficará mais lento”, afirmou.

De acordo com o chefe da diplomacia iraniana, não há uma data ainda para um novo encontro. “Ficou acordado que ambos os lados trabalhariam mais a fundo em textos preliminares para um possível acordo, após o qual os textos seriam trocados e uma data para a terceira rodada seria definida”, disse.

Ele ainda reiterou que “não busca fabricar nem adquirir armas nucleares, que não têm lugar algum na doutrina de segurança nacional do Irã”.

Abbas Araghchi declarou à imprensa que o Tratado de Não Proliferação Nuclear, no entanto, “reconhece explicitamente o direito inalienável de todos os Estados Partes de desenvolver, pesquisar, produzir e usar energia nuclear, incluindo o enriquecimento, para fins pacíficos”. “Este direito é inerente, não negociável e juridicamente vinculativo”, afirmou.

Ele ainda criticou os ataques de meados de 2025 contra Teerã. “Mais preocupante ainda foi o recurso à agressão militar contra o Irã em junho passado, numa altura em que estávamos em plenas negociações. Tal agressão contradiz flagrantemente os princípios básicos da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, declarou.





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