O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, até então um bolsonarista dos mais extremados, vem soltando a mão de Jair Bolsonaro dia após dia. No final de semana, admitiu, em entrevista, que estaria ao lado de outro candidato de direita se precisasse.
Esse discurso sobre sucessão e corrida eleitoral confronta diretamente os irmãos Bolsonaro, que continuam vendo a anistia como um projeto viável. A saga de Flávio, Carlos e Eduardo por apoio ao projeto de poder familiar continua impulsionada por postagens nas redes sociais em que, muitas vezes, se comportam como únicos candidatos possíveis na ausência do pai.
Carlos Bolsonaro, que será candidato ao Senado na chapa de Jorginho Mello, falou, no X, que “discutir sucessão presidencial” é “compactuar com a covardia e a tortura que esse regime impõe a milhares de brasileiros inocentes”.
A fala de Jorginho, portanto, é de total deslocamento com o núcleo familiar do ex-presidente. Mesmo destacando que Bolsonaro é vítima de injustiça, Jorginho Mello lembrou que ele está doente, inclusive pelas “pancadas” que teria levado na cabeça – aderindo a tese de que o amigo está com problemas de saúde mental. “Se não pode ser com ele pode ser com outro candidato nosso de direita para ganhar a eleição”, afirmou sobre 2026.
O governador foi um dos primeiros aliados a contestar a prisão preventiva de Bolsonaro, no dia 22. Mas no dia 25 de novembro, quando transitou em julgado a ação penal do golpe, Jorginho Mello não se posicionou. Neste dia ele preferiu fazer um post com uma pesquisa eleitoral que o coloca em primeiro lugar na disputa ao governo, isolado de outros candidatos e com vitória em primeiro turno.
Carlos Bolsonaro não divulgou agendas no estado desde a prisão preventiva do pai. Apesar de ter a candidatura confirmada, ele segue isolado e sem apoios regional de peso ao seu projeto em Santa Catarina. A fala de Jorginho distancia ainda mais o governador, já que ele indica a possibilidade de se unir a projetos eleitorais da direita, mesmo com os filhos do ex-presidente buscando sustentar o discurso de prisão injusta.
No domingo, Eduardo Bolsonaro escreveu no X que a anistia “é condição necessário de existência política” e aumentou o cerco contra políticos de direita que abandonaram a pauta. Ele aconselhou a militância a ficar atenta a posicionamentos dos políticos que pedirão votos em 2026.
Flávio Bolsonaro também tem adotado a mesma estratégia discursiva, inclusive potencializando a ideia de que o nome do pai deveria estar na urna. Um dia antes da confirmação da condenação por tentativa de golpe, ele afirmou, em coletiva, que os palanques dos estados seriam pensados com a participação do pai. Jair Bolsonaro, agora condenado, está inelegível até 2060.




