spot_imgspot_img
26.3 C
Manaus
sexta-feira, fevereiro 13, 2026
spot_imgspot_img

Juros bancários atingem maior nível em 8 anos, aponta BC


A taxa média de juros cobrada pelos bancos em operações com recursos livres subiu para 46,7% ao ano em novembro, o maior patamar desde abril de 2017. Apenas em 2025, o avanço acumulado já chega a seis pontos percentuais, evidenciando o impacto direto da política monetária restritiva adotada pelo Banco Central para conter a inflação. Os dados estão no relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira (26).

A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, nível mais elevado em quase duas décadas, continua pressionando o custo do crédito no sistema financeiro, afetando sobretudo consumidores e pequenas operações de financiamento.

Famílias pagam a conta mais alta

O encarecimento do crédito tem sido desproporcionalmente maior para as pessoas físicas. Em novembro, a taxa média de juros para esse segmento atingiu 59,4% ao ano, o maior nível desde 2017. Em contraste, os juros cobrados das empresas recuaram levemente para 24,5% ao ano, sinalizando maior seletividade e menor risco percebido nesse segmento.

Essa diferença reforça o diagnóstico de que o aperto monetário afeta mais intensamente o consumo das famílias, com impacto direto sobre renda, endividamento e inadimplência.

Crédito rotativo segue em patamar proibitivo

As linhas de crédito mais caras do mercado continuam sendo o cartão de crédito rotativo e o cheque especial. Em novembro, o rotativo alcançou 440,5% ao ano, enquanto o cheque especial ficou em 141,7% ao ano.

Mesmo após o teto imposto pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), que limita a dívida total a até 100% do valor original, os juros permanecem extremamente elevados. Especialistas seguem recomendando evitar essas modalidades e priorizar o pagamento integral das faturas.

Crédito cresce, mas em ritmo desigual

Apesar dos juros elevados, o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 20,3 trilhões, equivalente a 160,9% do PIB (Produto Interno Bruto), com crescimento de 11,2% em 12 meses. O avanço foi impulsionado principalmente pelos títulos públicos e pelos empréstimos do SFN (Sistema Financeiro Nacional).

O crédito às famílias cresceu 11,4% em 12 meses, ritmo bem superior ao observado entre as empresas, cujo crescimento foi de 4,8%. Isso indica que, mesmo mais caro, o crédito segue sendo utilizado para sustentar o consumo e o orçamento doméstico.

SFN mostra desaceleração e spreads elevados

O estoque total de crédito do SFN chegou a R$ 7 trilhões, mas apresentou desaceleração no ritmo de crescimento anual. As concessões mensais recuaram, embora o acumulado em 12 meses ainda mostre expansão.

A taxa média de juros das novas operações ficou em 31,9% ao ano, enquanto o spread bancário subiu para 20,9 pontos percentuais, revelando que o custo do crédito vai além da taxa Selic, incorporando risco, inadimplência e margens do sistema financeiro.

Endividamento das famílias preocupa

O cenário de juros altos já se reflete nos indicadores de risco. O endividamento das famílias chegou a 49,3% da renda, enquanto o comprometimento da renda alcançou 29,4%, ambos em trajetória de alta.

A inadimplência total do sistema permanece estável, mas entre as famílias no crédito livre já atinge 6,3%, reforçando o alerta sobre a sustentabilidade do endividamento no atual ciclo de aperto monetário.

Liquidez segue sob controle do BC

Nos agregados monetários, a base monetária apresentou retração, enquanto os meios de pagamento mais amplos (M1, M2, M3 e M4) seguiram em expansão. O movimento indica que, apesar do aperto, ainda há liquidez circulando na economia, monitorada de perto pelo Banco Central por meio de seus instrumentos de política monetária.

O cenário atual revela uma economia marcada por crédito caro, seletivo e desigual. Enquanto empresas sentem um impacto mais moderado, as famílias enfrentam juros recordes, maior endividamento e risco crescente de inadimplência.

A trajetória futura dependerá da evolução da inflação e do espaço para uma eventual flexibilização da política monetária.





ICL – Notícias

Após protestos, Trump vai retirar agentes de imigração de Minnesota

Por Brasil de Fato O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (12)...

Mega-Sena acumula e prêmio vai a R$ 62 milhões

O prêmio do concurso...

Toffoli deixa relatoria do caso Master após STF rejeitar suspeição

Por Cleber Lourenço Em reunião reservada iniciada às 16h30 desta quarta-feira (12), ministros...
-Patrocinador-spot_img

Amazonas Repórter

Tudo

Prazo para isenção de taxa de Vestibular Fatec termina nesta terça (22)

Os interessados em estudar em uma das das Fatecs (Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo) no segundo semestre de 2025 têm...

Manaus recebe 15ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos amplia debate sobre emergência climática

A 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos (MCDH) chega a Manaus entre os dias 26 e 29 de novembro, com programação gratuita no Cine...