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‘Justiça sendo feita’, diz homem que comemorou tornozeleira durante entrevista de Bolsonaro


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Por Chico Alves

À saída da unidade da Polícia Federal, em Brasília, onde instalou a tornozeleira eletrônica por ordem do ministro Alexandre de Moraes, Jair Bolsonaro dava entrevista aos jornalistas, nesta sexta-feira (18), com expressão fechada. Falava em “suprema humilhação”, elogiava Donald Trump e repetia a habitual ladainha sobre anistia aos golpistas do 8 de Janeiro. No grupo aglomerado em torno do ex-presidente, o clima era de tensão.

Apenas uma pessoa destoava dos demais.

Quem acompanhou a entrevista de Bolsonaro na TV ou no canal de YouTube do ICL Notícias foi surpreendido pelos gestos de comemoração de um homem postado bem atrás do ex-presidente. Em contraste com a seriedade do momento, ele abria os braços, fazia dancinhas e sorria olhando para as câmeras, expressando satisfação com a punição determinada pelo Supremo Tribunal Federal.

A cena inusitada viralizou. Imediatamente vários cortes do vídeo circularam pelas redes sociais.

“Me surpreendi com a repercussão”, admitiu o servidor público Igor Chianca, de 43 anos, em entrevista ao ICL Notícias. Boa parte das mensagens recebidas por ele não tinham o tom de humor, que é comum nas redes. “Teve muitos depoimentos de pessoas que perderam parentes na pandemia, se sentindo muito representados”.

Chianca está acostumado a embates políticos: é diretor do Sindicato dos Servidores da Carreira Pública de Desenvolvimento e Assistência Social e prepara assembleia da categoria para o dia 5 de agosto. Mas o protesto contra Bolsonaro não foi planejado — até porque ninguém sabia que ele pararia naquele local. “Eu comecei a brincar ali de uma maneira ingênua”, explica.

Leia a entrevista a seguir.

Bolsonaro

Igor Chianca, à frente do local onde Jair Bolsonaro dava entrevista

ICL Notícias – Como você foi parar ali, no local da entrevista de Jair Bolsonaro?

Igor Chianca – Eu trabalho na Secretaria de Justiça do Distrito Federal, que fica ali exatamente do lado da Polícia Penal, de onde ele foi saindo. Eu estava trabalhando e o pessoal falou “o Bolsonaro vai ser preso”, “vão colocar a tornozeleira eletrônica”. No primeiro momento eu achei até que era brincadeira, mas quando fui lá fora estava cheio de repórter. Aí a gente ficou ali do lado, esperando, pra ver se ele ia sair. Quando ele saiu da garagem a gente foi lá e ele saiu o carro. Eu não imaginei que fosse parar, sair e dar entrevista, né? E aí eu comecei a brincar ali de uma maneira ingênua. Em nenhum momento imaginei que ia ter repercussão que está tendo.

O que te levou a fazer essa “comemoração”? Quais grandes males considera que Bolsonaro tenha feito para levar você a comemorar essa punição da Justiça?

São tantas coisas que eu não conseguiria enumerar, todas as coisas que causam revolta nas pessoas. Sem dúvida nenhuma, a forma como ele lidou com a pandemia é uma coisa que causou muita revolta, o movimento antivacina, o deboche que ele fez em relação às vítimas. Perdi muita gente que eu conhecia. Inclusive vi família sendo dizimadas, amigos da família.

Tem outros motivos… Idolatria a torturadores, esse flerte com a ditadura, esse golpe de Estado que ele tentou dar. E tantas e tantas outras frases polêmicas, né? A antieducação com seus seis ministros (da Educação), a anticiência… Tem tantas coisas que eu não conseguiria lembrar todas. Mas essas são algumas delas que a gente poderia sintetizar. Precisaria ter um um longo diálogo com você pra enumerar todas as situações.

Pelo que você conta, a ideia dessa “comemoração” pela tornozeleira surgiu naturalmente… Não teve receio da reação de apoiadores e Bolsonaro?

Não pensei em tripudiar, nem nada. Eu acho que foi tudo tão espontâneo que não pensei racionalmente ali no que eu estava fazendo ou o que eu estava deixando de fazer. Foi tudo de uma maneira natural, mesmo. Eu estava ali brincando atrás das câmeras, imaginei que alguém depois fosse falar “te vi”…, mas não essa repercussão toda. O sentimento maior foi comemorar que a justiça estava sendo feita.

Gravei um vídeo que botei no meu perfil do Instagram em que dá pra ver eles tentando me agredir. Mas eu me mantive muito calmo. Recebi ali uma uma cotovelada e uns empurrões. Mas se limitou a isso. Dá pra ver lá no vídeo que eles tentam me intimidar, empurram, tentam fazer uma pressão, mas eu fiquei muito tranquilo.

Quando você percebeu que a repercussão dos seus gestos tinha sido grande?

Quando eu voltei para o trabalho, o pessoal já falou “Igor, tu está viralizado no Twitter, no Instagram”. E aí quando eu fui ver começaram a chegar as mensagens pra mim, primeiro no WhatsApp, dos amigos, das pessoas que eu conheço. E aí comecei a ver uma movimentação intensa no Instagram. De uma hora pra outra apareceeram ali dez mil seguidores. Esse movimento foi bem intenso.

Qual o teor das mensagens?

Uma coisa bem emocionante, porque teve muitos depoimentos de pessoas que perderam parentes na pandemia, se sentindo muito representados. Teve mensagens desse tipo assim que me sensibilizaram bastante.

Foram praticamente 100% de coisas positivas até o momento, mensagens que tocaram bastante.

Como você espera que termine esse impasse causado pela família Bolsonaro, que gerou tarifao e sanções por parte do governo de Donald Trump?

A história da diplomacia brasileira é de paz com todos os países, né? A nossa história mostra que a gente sempre foi muito pacífico, então esse é um momento que a gente nunca tinha vivido. E diplomaticamente eu acho que obviamente que a gente tem que tentar ser muito responsável, porque a gente sabe do impacto que isso pode causar no nosso país. Então a diplomacia brasileira que sempre foi exemplo precisa tentar pacificar essa essa ação que está acontecendo a partir do Trump. Mas obviamente que a gente vai ter que se defender se isso persistir.  A gente está lidando com um presidente americano que não tem precedentes, dependendo da forma como ele acordar ele pode falar ou fazer alguma maluquice. Então cabe a nós ter muita serenidade pra tratar da melhor maneira possível

Mas esse movimento que  Eduardo Bolsonaro está fazendo é crime. Está atentando contra a soberania do nosso país. Isso aí em nenhum momento a gente vai poder permitir. A soberania do nosso país deve ser mantida acima de tudo, a última linha não pode ser rompida. Nesse caso teria a questão da reciprocidade e aí dentro da questão jurídica nós temos leis que classificam isso como crime. Ele está tramando contra o nosso país, e esse crime está previsto na nossa Constituição. Eles devem ser julgados por isso também.

 

 





Fonte: ICL Notícias

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