O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta sexta-feira 4 que seu partido está “está dividido” sobre apoiar o projeto de lei que concede anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, em tramitação na Câmara. O dirigente disse não ter posição própria a respeito do texto, mas avaliou ser difícil não apoiar o requerimento de urgência para acelerar a tramitação da proposta.
“O PSD está dividido, o que é normal. Cada um tem suas posições, e eu estou ainda na fase de ouvir. Na hora certa, estarei alinhado com o líder do partido, dentro do que for decidido”, declarou Kassab durante um encontro da sigla no Rio de Janeiro. Ele ainda indicou que, diante das divergências, a tendência é liberar os deputados para apoiar o texto.
Nos últimos dias, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deflagrou uma operação para atrair o apoio de Kassab ao projeto. Nesta semana, o vice-líder do PSD na Câmara dos Deputados, Reinhold Stephanes (PR), assinou o pedido de urgência para a matéria. Para que o apoio seja considerado, porém, é necessário que o chefe da bancada subscreva o requerimento.
O líder Antonio Brito (BA) tem sinalizado que espera um direcionamento do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre qual caminho seguir. Enquanto não há definição, o chefe da Casa é alvo de pressão da bancada do PL, que entrou em modo obstrução para barrar votações em plenário até forçar o andamento da anistia – a mobilização, contudo, não tem surtido efeito.
Além do PSD, partidos que compõem o bloco do chamado Centrão têm evitado endossar a urgência por receio de abrir um novo foco de tensão com o Supremo Tribunal Federal. “A partir do momento em que PL, PP e Republicanos formalizarem apoio ao regime de urgência, fica difícil para o PSD ficar contra. Mas isso não significa voto no mérito do projeto”, acrescentou Kassab a jornalistas após o evento.
Durante a solenidade, o dirigente partidário também afirmou ser uma “bobagem” vincular a discussão sobre a anistia à decisão do ministro Alexandre de Moraes em devolver ao STF um processo contra Kassab. Bolsonaro e aliados viram a ordem como uma forma de pressão para que o pessedista recuasse na intenção de fechar questão em prol do perdão aos vândalos do 8 de Janeiro.
“Bobagem. Mudou a jurisprudência e todos os processos subiram. Talvez haja falta de informação de alguns. Estou super tranquilo”, afirmou. O retorno do processo em que Kassab é alvo decorre da mudança de entendimento do STF a respeito do foro privilegiado. Em março, o tribunal decidiu manter a validade da prerrogativa mesmo após uma autoridade deixar o cargo.
Por: Carta Capital