‘Lamentável’ e ‘sem base legal’: o que os países disseram sobre as tarifas dos EUA


Por Fernando Narazaki

(FOLHAPRESS) – A imposição dos Estados Unidos de tarifas entre 10% a 12,5% a 59 países e a União Europeia anunciada nessa quinta-feira (23) foi criticada pelas nações atingidas. O governo de Donald Trump justificou a aplicação da taxa pela falha dos países no combate ao trabalho escravo.

A China afirmou que a decisão prejudica a economia mundial e não atende ao interesse de qualquer país envolvido.

“Nos opomos a todas as formas de medidas tarifárias unilaterais”, afirmou Lin Jian, porta-voz do ministério das Relações Exteriores. “Guerras tarifárias e guerras comerciais não atendem aos interesses de nenhuma das partes”, alertou sobre a cobrança de 12,5% imposta pelos americanos.

Aliado dos EUA, o Japão também condenou a decisão do governo Trump e classificou como “lamentável” a imposição de taxas aos produtos.

“Essas tarifas são injustificadas, inconsistentes com nosso acordo de livre comércio e devem ser removidas”, declarou o ministro do Comércio da Austrália, Don Farrell, que também foi uma das nações a receber o valor mais alto de 12,5%.

O ministro das Relações Exteriores de Singapura, Vivian Balakrishnan, afirmou que “não há base técnica ou econômica para impor tarifas” sobre o país.

Já a União Europeia evitou entrar em conflito e comentou que os EUA seguiram o limite de tarifa estabelecido no acordo aprovado recentemente pelos europeus.

“A União Europeia nota positivamente o fato de que este resultado está em linha com os compromissos tarifários dos EUA acordados na Declaração Conjunta UE-EUA”, comentou o porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, sobre a taxa de 10%.

Lula
Governo Lula se movimentou e voltou a falar em acionar os mecanismos da Lei da Reciprocidade, além de recorrer à OMC (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Reação do Brasil

Na quinta-feira, o Brasil já havia criticado a cobrança de 12,5% imposta pelos EUA. “Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais”, disse a nota oficial.

A nova tarifa será aplicada a mais de 3.000 itens feitos no Brasil e entrou em vigor a partir da 1h01 (horário de Brasília) desta sexta-feira.

O governo Lula voltou a falar em acionar os mecanismos da Lei da Reciprocidade, além de recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio).

A imposição de novas taxas é uma forma dos EUA manter a arrecadação que será perdida com o fim da cobrança da tarifa de 10% que foi aplicada a inúmeros países em fevereiro, que vence nesta sexta-feira.

Retaliação de Trump

A cobrança foi uma resposta de Trump após a Suprema Corte vetar o uso de uma lei de 1977 para a criação de impostos de importação sobre centenas de países que vigorava desde abril de 2025.

Ao anunciar as tarifas com base na falha ao combate do trabalho escravo, o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, disse que Washington aplicava “rigorosamente” a proibição de importações produzidas com trabalho forçado e que “já passou da hora de nossos parceiros fazerem o mesmo”.

Economias que implementaram uma proibição de trabalho forçado, incluindo Canadá, União Europeia e Reino Unido, receberam a alíquota mais baixa, de 10%. Outros grandes parceiros comerciais, incluindo Índia e Japão, foram atingidos com as tarifas mais altas, de 12,5%.





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