Líderes do PL descartam Michelle como ‘plano B’ para substituir Flávio Bolsonaro


 

Por Cleber Lourenço

 

Lideranças do PL descartam a possibilidade de Michelle Bolsonaro assumir a vice de Flávio Bolsonaro para ficar posicionada como eventual substituta do senador na disputa pela Presidência. Em contato com o ICL Notícias, os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Cabo Gilberto Silva (PL-PB) negaram essa possibilidade, que também é considerada praticamente impossível por outras fontes da legenda ouvidas pela reportagem.

Nos bastidores, porém, a hipótese chegou a circular com uma lógica específica: transformar Michelle numa espécie de “Fernando Haddad de 2018”. Segundo fontes do PL próximas a Flávio, a expectativa partia principalmente do entorno do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e de setores do partido em São Paulo.

A comparação remete à eleição de 2018. Haddad iniciou aquela campanha como candidato a vice de Luiz Inácio Lula da Silva e assumiu a cabeça da chapa quando a candidatura do petista foi barrada pela Justiça Eleitoral.

Há integrantes do PL que ainda trabalham com a possibilidade de Flávio não chegar ao fim da campanha presidencial. Na avaliação dessas fontes, uma questão judicial ou alguma surpresa de grande impacto poderia inviabilizar sua candidatura. Com Michelle na vice, a ex-primeira-dama estaria imediatamente posicionada para assumir a disputa.

Essa engenharia, entretanto, enfrenta resistência justamente entre integrantes do partido próximos à campanha de Flávio.

Segundo fontes ouvidas pelo ICL Notícias, o núcleo do candidato não teria interesse em construir uma chapa na qual Michelle aparecesse desde o início como sua substituta natural. Rogério Marinho é apontado por essas pessoas como alguém que poderia ter interesse nesse desenho, mas não teria força para conduzir sozinho uma mudança dessa dimensão.

O principal obstáculo estaria na atual correlação de forças da campanha. De acordo com os relatos, Eduardo Bolsonaro e o grupo ligado ao ex-deputado nos Estados Unidos exercem influência decisiva sobre os rumos da candidatura de Flávio e rejeitam Michelle como alternativa para assumir a disputa presidencial.

A própria ex-primeira-dama também não estaria interessada em ocupar a vice, segundo integrantes da legenda.

Um movimento feito por Michelle depois da escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) foi interpretado internamente como mais um indicativo dessa posição.

Ao comentar publicamente o anúncio, Michelle desejou “as bênçãos de Deus” à decisão e afirmou esperar que “a Chapa Flávio-Alfredo possa ser vitoriosa”.

O trecho que mais chamou a atenção de integrantes do partido veio logo depois: “Agradeço a todas as Mulheres de Bem que, corajosamente, colocaram os seus nomes à disposição para a vaga”, escreveu.

Michelle se refere às mulheres que disputaram a vice na terceira pessoa e trata a movimentação no passado, sem se incluir entre aquelas que colocaram seus nomes à disposição. Ao final, reforçou a unidade em torno da composição já anunciada: “A caminhada está apenas começando e nós estaremos todos unidos pelo bem da nossa Nação”.

O próprio processo de escolha de Alfredo Gaspar expôs um desalinhamento entre Flávio e Valdemar, apontado por aliados do senador como um dos dirigentes que defendiam a alternativa Michelle. Na quarta-feira (5), o presidente do PL afirmou que “Flávio e Rogério Marinho já tinham escolhido o Alfredo há seis meses” e disse não entender como a informação não havia vazado.

No dia seguinte, Flávio contou uma história diferente. Durante a live de anúncio, afirmou que tentou encontrar uma mulher para ocupar a vice e que Gaspar foi escolhido “em cima da hora”. A versão contradiz a cronologia apresentada por Valdemar e indica que a definição da chapa permaneceu aberta até a reta final.

“Eu não entendi, o Valdemar falou na hora lá ‘estamos aqui há seis meses guardando esse nome’. Pô, presidente, não foi isso”, afirmou Flávio.

A divergência é citada por aliados de Flávio como mais um sinal das diferentes articulações que ocorreram dentro do PL em torno da vice. Enquanto Valdemar é apontado por esse grupo como um dos defensores de Michelle, a solução adotada pelo núcleo da campanha terminou com Gaspar na chapa e com a própria ex-primeira-dama manifestando apoio público à composição.





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