Por Cleber Lourenço
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para ocupar a cadeira aberta no Supremo Tribunal Federal. A escolha foi fechada entre assessores mais próximos de Lula e confirmada por interlocutores do Palácio do Planalto, que avaliam Messias como um nome técnico, confiável e alinhado às prioridades jurídicas do governo.
A decisão ocorre em meio a um incômodo perceptível do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que defendia a indicação de Rodrigo Pacheco ao tribunal. O movimento do Planalto contrariou a articulação conduzida por Alcolumbre, que opera com forte influência sobre sabatinas e votações de autoridades na Casa. Ainda assim, assessores do governo afirmam que o desgaste é contido e pode ser revertido.
Segundo membros da articulação política do Palácio do Planalto, Alcolumbre não é considerado alguém que “queima pontes”. Descrito como um político pragmático, ele tende a recalibrar alianças quando contrariado, buscando novas oportunidades em pautas, indicações e espaços estratégicos do governo. A avaliação majoritária entre auxiliares de Lula é de que a relação pode ser reconstruída rapidamente, desde que haja gestos concretos.
O incômodo ficou mais evidente na véspera, quando Alcolumbre reagiu à falta de consenso sobre o nome de Pacheco ameaçando derrubar a pauta do projeto que atualiza o valor de imóveis no Imposto de Renda. O movimento foi lido internamente como um recado ao Planalto, que esperava uma reação, mas não uma confrontação aberta.

Messias dialoga com setores religiosos
No governo, a percepção é de que Messias não enfrentará resistências significativas no Senado. Além do perfil técnico e do trânsito consolidado entre operadores do direito, a indicação não cria antagonismos diretos com bancadas ou lideranças. A previsão é de uma votação menos folgada do que outras recentes, mas longe de representar risco para a aprovação.
Auxiliares de Lula avaliam que a escolha também dialoga com setores religiosos do Congresso e reforça a estratégia do governo de manter nomes de confiança em posições-chave do sistema de Justiça. A articulação acredita que, mesmo com a tensão inicial, a aprovação de Messias pode servir como ponto de reaproximação com Alcolumbre.
Nos bastidores, a expectativa é que o presidente do Senado ajuste o preço da parceria, mas não rompa com o governo. O Planalto já calcula quais pautas, nomeações e gestos podem servir como caminhos de recomposição. A leitura predominante é de que o atrito não inviabiliza a relação, apenas altera o ritmo e o custo político na base do Senado.
Leia íntegra da nota oficial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou nesta quinta-feira, 20 de novembro, o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para exercer o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, na vaga deixada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso. A oficialização da indicação será publicada em edição extra do Diário Oficial da União.
Advogado-Geral da União desde 1º de janeiro de 2023, Jorge Messias é graduado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), mestre em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília – UnB (2018) e doutor pela mesma universidade (2023), onde lecionou como professor visitante.
Foi subchefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais da Casa Civil, Secretário de Regulação e Supervisão do Ministério da Saúde e Consultor Jurídico do Ministério da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Também atuou na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e na Procuradoria do Banco Central.
A partir da indicação, o nome de Jorge Messias deverá passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e aprovação pelo Plenário do Senado Federal.




