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sexta-feira, fevereiro 20, 2026
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Lula defende uso de moedas locais no Brics e critica tarifaço dos EUA


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta sexta-feira (20) a redução da dependência do dólar nas transações entre países do Brics. Segundo ele, o comércio entre as nações do grupo pode ser realizado com moedas locais, sem a necessidade de utilizar a moeda americana como intermediária.

Durante entrevista à emissora indiana Índia Today, Lula afirmou: “Eu respeito muito as decisões que são tomadas pelos países. Eu defendo isso, não é necessário que o comércio entre Brasil e Índia seja feito em dólar. O que eu defendo é que usemos as nossas próprias moedas”

O presidente reconheceu que a substituição do dólar não é algo simples nem imediato, mas sugeriu que os países reflitam sobre a real necessidade de manter a moeda americana como padrão nas transações internacionais.

“Não é algo que se pode ser feito do dia a noite, mas é algo que temos que pensar. Nós precisamos do dólar, ou podemos fazer negócios nas nossas próprias moedas?”

Críticas ao tarifaço de Trump

Na mesma entrevista, Lula reforçou sua defesa do multilateralismo e relembrou sua atuação após o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo ele, quando Trump anunciou tarifas universais sobre importações, convocou uma reunião virtual do Brics para articular uma resposta conjunta.

“Quando o presidente [Donald] Trump impôs tarifas universais a todos os países, realizei uma reunião do Brics por teleconferência para que pudéssemos emitir uma declaração de que o comportamento do presidente dos EUA, impondo tarifas unilaterais, não era correto”
Para Lula, medidas comerciais unilaterais fragilizam o comércio global e prejudicam o equilíbrio entre as economias.

Papel do Banco do Brics

O presidente também destacou a importância do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira criada pelo grupo. Na avaliação dele, o banco precisa atuar de forma diferente de organismos tradicionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

“Não precisamos continuar copiando tudo o que aconteceu no século XX. Podemos inovar por causa do século XXI, das necessidades da sociedade civil e dos avanços da sociedade. O Brics é essa esperança”

O Brics foi criado com o objetivo de coordenar políticas econômicas e diplomáticas entre seus membros e reduzir a dependência do dólar nas transações internacionais. Apesar disso, o grupo tem sido frequentemente rotulado por críticos como um “bloco anti-Ocidente” — classificação que seus integrantes rejeitam publicamente.

Venezuela e princípio da não intervenção

Durante a entrevista, Lula também comentou a situação política na Venezuela e reafirmou que a política externa brasileira se baseia no princípio da não intervenção.

Ao mencionar conflitos internacionais, ele comparou a posição brasileira sobre a Venezuela à condenação da invasão da Ucrânia pela Rússia e às ações militares em Gaza.

“Não podemos aceitar que um chefe de Estado de um país invada outro país e capture o presidente. Isso é inaceitável. Não há explicação para isso, e não é aceitável”. Lula avaliou que a crise venezuelana deve ser resolvida internamente, pelos próprios cidadãos do país.

Ele ainda classificou a trajetória recente da Venezuela como “uma experiência negativa”, mas reforçou que qualquer solução precisa partir do próprio povo venezuelano.

Com isso, o presidente voltou a defender uma ordem internacional mais multipolar, com maior protagonismo das economias emergentes e menor concentração de poder financeiro e político em torno do dólar.





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