Lula diz em reunião que essa não é a pior eleição que já enfrentou


Por Cleber Lourenço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (5), durante reunião com aliados em Brasília, que a campanha terá os próximos 20 dias para levar ao eleitorado temas que, segundo ele, deveriam ter sido explorados ao longo do ano contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A declaração foi confirmada ao ICL Notícias por dois integrantes presentes no encontro.

“São 20 dias que a gente vai ter para colocar para fora aquilo que a gente deveria ter colocado o ano inteiro, tentando tirar um possível herdeiro do fascismo desse país”, afirmou Lula, segundo os relatos ouvidos pelo ICL Notícias.

A fala foi feita um dia depois de Flávio terminar o primeiro turno à frente do presidente. O candidato do PL recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 53.876.617, ou 45,16%. Os dois voltam às urnas em 25 de outubro.

Ao falar aos aliados sobre o resultado, Lula também reconheceu a frustração por não ter encerrado a disputa no primeiro turno.

“Fiquei decepcionado. Toda vez fico decepcionado, porque todas as vezes quero ganhar no primeiro turno”, afirmou.

Lula disse, porém, que esta não teria sido a pior situação eleitoral que já enfrentou. O presidente lembrou a eleição de 1989, quando chegou ao segundo turno contra Fernando Collor depois de partir de uma diferença muito maior na primeira votação.

Lula e Collor
Lula e Collor em debate da Band, mediado por Marília Gabriela – Foto: Reprodução/Alesp

Naquele ano, Collor terminou o primeiro turno com 30,47% dos votos válidos, enquanto Lula teve 17,18%. No segundo turno, Lula encurtou a distância e chegou a 46,97%, mas Collor venceu com 53,03%.

A eleição de 1989 também ficou marcada pela atuação da Globo na disputa. A própria emissora reconhece como um erro a edição exibida pelo Jornal Nacional do último debate entre os candidatos daquele ano. A reportagem foi acusada de selecionar os melhores momentos de Collor e os piores de Lula e deu ao candidato do PRN mais tempo na edição. Depois do episódio, a Globo decidiu deixar de editar debates políticos.

Anos depois, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, principal executivo da Globo à época, relatou que deu orientações para a apresentação de Collor no debate. Segundo ele, foram colocadas diante do candidato pastas que simulavam conter denúncias contra Lula, mas estavam vazias ou tinham papéis em branco. Boni também disse que foi usada glicerina para simular suor no rosto de Collor. O ex-presidente negou posteriormente a versão apresentada pelo executivo.

Roberto Marinho, então dono das Organizações Globo, também assumiu publicamente seu apoio a Collor. Em entrevista ao Jornal da Tarde em 1992, reproduzida pelo Atlas Histórico da FGV, afirmou: “Sim, nós promovemos a eleição do Collor”.

A comparação com 1989 foi feita por Lula diante dos aliados ao tratar da disputa que terá pela frente nas próximas três semanas. Em 2026, a diferença entre Flávio e Lula no primeiro turno foi de 2.227.651 votos.

Reunião discute estratégia para o segundo turno

O encontro desta segunda-feira foi convocado para reorganizar a campanha após o resultado do primeiro turno. Lula chamou governadores, senadores, candidatos eleitos e aliados que ainda disputarão segundo turno nos estados para uma reunião em Brasília. O objetivo anunciado antes do encontro era unir as forças políticas da campanha e discutir a estratégia para a votação de 25 de outubro.

Entre os nomes presentes estavam os governadores Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Elmano de Freitas (PT-CE), Lucas Ribeiro (PP-PB) e Rafael Fonteles (PT-PI), além dos senadores eleitos ou reeleitos Rui Costa (PT-BA), Jaques Wagner (PT-BA), João Azevêdo (PSB-PB), Rogério Carvalho (PT-SE), Marcelo Castro (MDB-PI), Marília Campos (PT-MG) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). Também participou do encontro o advogado Marco Aurélio de Carvalho, um dos coordenadores da campanha de Lula.

A composição da reunião também mostra que Lula tenta preservar apoios construídos nos estados para além dos partidos de esquerda. O encontro contou com nomes do PP, MDB, PSD e PSB, como o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP). O movimento ocorre justamente enquanto a direção da federação União Brasil-PP discute formalizar apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. O PSD decidiu liberar seus diretórios, enquanto o MDB permanece dividido.

Também foram convocados aliados que ainda enfrentam segundo turno nos estados. A reunião ocorre no início de uma rodada de articulações das duas campanhas para ampliar apoios políticos depois do primeiro turno.

Com início às 18 horas desta segunda-feira, até o fechamento desta reportagem, a reunião de Lula com os aliados em Brasília ainda estava em andamento.





ICL – Notícias

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