No Galo da Madrugada, o maior bloco — em linha reta ou serpenteante — do mundo, compareceu um presidente Lula quase unanimidade no Nordeste. Lá estava o Lula equilibrista, no centro da selfie, com o prefeito João Campos (PSB) em um ombro e a governadora Raquel Lyra (PSD) no outro.
No mesmo palco, Lenine sorria, tirava onda, entre o martelo e a bigorna, coisas da política. A primeira-dama, Janja da Silva, exaltava o diplomático poder do frevo de Pernambuco.
Uma música que possibilita pelo menos 120 passos, segundo a última contagem catalográfica, é capaz de tudo. Só restava ao Lula, arrodeado até por representantes de partidos oposicionistas, aplicar a mágica de Capiba: “De chapéu de sol aberto/ Pelas ruas eu vou/ A multidão me acompanha, eu vou…”
Naquele mesmo sábado, a caravana de Lula seguiu o roteiro da “Vassourinha Elétrica” de Moraes Moreira e resolveu chegar na Bahia. E lá estava o Lula que mais incomoda (de fato) a oposição e o antilulismo em geral da avenida. O Lula fervilhante qual dendê na panela das Ciras e Dinhas mais soberanas de ontem e de hoje. O Lula que aos 80 vai aos pinotes diante do “navio pirata” do BaianaSystem.
Esta é a imagem mais dramática para a turma do contra.
Este é o Lula que até outro dia era dado como um falecido político pelo imortal Merval Pereira na prosopopeia da Globo News.
O Lula que pula incomoda muito mais do que o Lula da saga do retirante ou da sátira ao bolsonarismo, como retratado no Rio pela modesta Acadêmicos de Niterói, ainda emergente do samba de primeira linha.
Na Sapucaí estava o Lula biográfico, uma história brasileira das mais épicas, com todas aquelas assombrações do nosso nordestino passado. Da fome ao papa-figo.
Foi o Lula pau-de-arara que despertou o furor lavajatista do PL, do Novo e do MBL — a doença juvenil e encruada do bolsonarismo. Uma chuva de ações na Justiça Eleitoral, na tentativa de tirar o favorito da disputa, algo como um “bloco da saudade” da República de Curitiba.
O Lula do Galo é o conciliador político de sempre, em modo “frente ampla e irrestrita” para as eleições 2026; o da Sapucaí é o Lula lenda, personagem histórico retratado por escolha dos carnavalescos; o Lula que os mervais & quetais não desejam ver a essa altura, porém, é o Lula do circuito do Campo Grande, o Lula de carne e osso, oito ponto zero, que salta como um boneco de mola diante do BaianaSystem.




