O presidente Lula (PT) deve se manter longe do imbróglio envolvendo o Banco Master, que tem acarretado uma pressão enorme sobre a diretoria do Banco Central devido à liquidação da instituição financeira pela autoridade monetária. Segundo aliados do presidente ouvidos por reportagem da Folha de S.Paulo, o petista não pretende intervir nem se manifestar publicamente sobre o escândalo.
Ainda de acordo com a reportagem, o principal argumento do petista é a autonomia do Banco Central, que, segundo esses aliados, retira o caso do campo de atuação direta do Executivo.
Mesmo diante da relação próxima de Lula com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do respaldo político a medidas voltadas à estabilidade econômica, a avaliação predominante no entorno do presidente é de que o Planalto deve manter distância.
O entendimento é reforçado pelo fato de o caso já tramitar no STF (Supremo Tribunal Federal), onde o relator do caso Master é o ministro Dias Toffoli.
Cuidado redobrado
A cautela também se intensificou após a revelação de que o Banco Master contratou um escritório ligado a familiares do ministro Alexandre de Moraes, por cerca de R$ 3,6 milhões mensais, para atuar na defesa de seus interesses.
Na segunda-feira (29), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar o pedido de investigação contra Moraes, em resposta à solicitação apresentada pelo advogado Enio Murad.
Apesar do posicionamento cauteloso do presidente, segundo a reportagem da Folha, integrantes da equipe econômica avaliam que os valores envolvidos nas fraudes atribuídas ao Master justificariam uma posição mais dura, incluindo a defesa explícita da liquidação da instituição. A estimativa de prejuízo bilionário reforça, para esse grupo, a necessidade de uma resposta firme das autoridades.
Haddad adota postura no meio do caminho
Por sua vez, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, adotou uma postura intermediária. No dia da decretação da liquidação, afirmou que a pasta está pronta para colaborar com o Banco Central, mas evitou comentários diretos sobre a decisão.
“O Banco Central é o regulador do sistema financeiro e eu tenho certeza que, para ter chegado a esse ponto, todo o processo deve estar muito robusto”, declarou. Segundo Haddad, cabe à Fazenda apenas lidar com as consequências da medida.
Enquanto isso, a investigação segue avançando. A Polícia Federal ouve nesta terça-feira (30) Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, sobre a tentativa frustrada de venda do Master.
Embora não seja investigado, o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, também prestará depoimento. Após essa fase, o STF decidirá se haverá acareação entre os envolvidos, por determinação de Toffoli.
Entenda o caso
A liquidação do Banco Master foi decretada em 18 de novembro, após Vorcaro apresentar ao BC um plano de reestruturação que incluía a venda da instituição à Fictor, empresa pouco conhecida no setor, associada a supostos investidores dos Emirados Árabes Unidos cujas identidades nunca foram divulgadas.
As apurações indicam que, antes mesmo da formalização do negócio, o Master teria forjado e negociado cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado com o BRB, envolvendo contratos falsos e valores inflados. O escândalo levou à prisão de Vorcaro, que ficou detido por 12 dias e atualmente responde ao processo em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica.




