O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe na sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. A reunião ocorre um dia antes da assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, marcada para 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai.
Segundo comunicado do Palácio do Planalto, Lula e os dirigentes europeus discutirão, no encontro no Rio, “temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo”.
A diplomacia brasileira trabalhou para que o texto do acordo fosse aprovado ainda em 2025 pelo Conselho Europeu, o que permitiria a assinatura durante a presidência rotativa do Brasil no Mercosul. No entanto, a análise foi adiada para janeiro a pedido de países como França e Itália, que reivindicaram a discussão de salvaguardas bilaterais, sobretudo para setores sensíveis da agricultura europeia.
Em 17 de dezembro de 2025, o Conselho Europeu e o Parlamento Europeu chegaram a um acordo provisório sobre as salvaguardas bilaterais previstas no tratado. Mesmo assim, a França manteve oposição ao acordo, enquanto a Itália solicitou o adiamento da votação para janeiro.
A posição italiana era considerada decisiva. Para a aprovação no Conselho Europeu, é necessária maioria qualificada: ao menos 15 dos 27 Estados-membros, representando conjuntamente 65% da população da União Europeia. Com França e Polônia contrárias ao acordo, o apoio de países populosos tornou-se crucial para viabilizar a decisão final — o que acabou se confirmando com o voto favorável da Itália.
Um tratado histórico em duas etapas
Resultado de 26 anos de negociações, o acordo Mercosul–União Europeia é considerado histórico por criar uma zona de livre comércio que reúne mais de 720 milhões de consumidores. Juntas, as economias dos dois blocos somam cerca de US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).
O tratado foi dividido em dois instrumentos:
- O primeiro é o Acordo Comercial Interino (iTA), que trata das principais cláusulas econômicas e tarifárias. Após a assinatura e a aprovação pelo Parlamento Europeu — que exige apenas maioria simples —, o iTA poderá entrar em vigor.
- O segundo é o Acordo de Parceria UE–Mercosul (EMPA), que abrange o diálogo político e a cooperação em áreas como desenvolvimento sustentável, meio ambiente, ação climática, transformação digital, direitos humanos, mobilidade, combate ao terrorismo e gestão de crises.
- Para sua vigência, será necessária a ratificação por todos os Estados-membros da União Europeia e pelos países do Mercosul, cada um em seus respectivos Parlamentos.
Alckmin destaca impacto econômico

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, celebrou o sinal verde dado pelo Conselho Europeu para a assinatura do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia.
“O acordo fortalece o multilateralismo e o comércio com regras entre Mercosul e União Europeia, amplia investimentos e cria oportunidades para a indústria brasileira. Também reforça a agenda da sustentabilidade, com o compromisso do Brasil no combate às mudanças climáticas. É um acordo de ganha-ganha, que gera empregos, aumenta a competitividade e amplia a oferta de produtos mais baratos e de melhor qualidade”, afirmou.
Em relação aos bens industriais, Alckmin destacou que a indústria de transformação exportou em 2025 US$ 23,6 bilhões para a União Europeia, o equivalente a 12,5% do total do setor.
Ele lembrou ainda que o sucesso das negociações está diretamente ligado aos esforços do governo brasileiro e do presidente Lula.
“Houve um empenho do presidente Lula, inclusive na condição de presidente do Mercosul, em defesa do multilateralismo. O Brasil mudou sua postura em relação à sustentabilidade, com compromisso claro de combate ao desmatamento, preservação das florestas e redução das emissões de carbono. Esse compromisso com a sustentabilidade foi fundamental. É um conjunto de fatores que permitiu avançar”, disse.




