O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na segunda-feira (9), que o Brasil vive um momento inédito no enfrentamento à corrupção ao mirar agentes econômicos de alto poder aquisitivo. “Pela primeira vez o país está prendendo magnatas da corrupção”, disse, durante evento em Mauá, na Grande São Paulo, ao comentar o caso do Banco Master.
“Vocês [a plateia] estão vendo a nossa briga com o tal do Banco Master? Está vendo a briga desse banco aí que deu um desfalque de quase R$ 80 bilhões? É a primeira vez na história do Brasil que nós estamos perseguindo os magnatas da corrupção nesse país”, disse Lula. “Não é prender o cara que está na favela ou matar ele, não. É prender aquele que está de terno e gravata roubando e mora em apartamento de cobertura ou mora em Miami”, completou.
O presidente sustentou que o combate ao crime organizado só será efetivo se alcançar as elites econômicas envolvidas em esquemas de corrupção.
Relação com os Estados Unidos
No discurso, Lula voltou a mencionar uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual ambos teriam manifestado interesse em combater o crime organizado.
O presidente brasileiro afirmou ter pedido a colaboração norte-americana para a extradição de brasileiros acusados de crimes financeiros e contrabando que vivem no exterior, citando como exemplo um esquema de combustível contrabandeado apreendido em navios, cujo responsável, segundo ele, residiria em Miami.
“Eu, por exemplo, conversei com o Trump. E o Trump falou para o presidente Lula que quer combater o crime organizado. Eu falei, eu também quero. Você quer combater de verdade? Me entregue os bandidos brasileiros que estão lá. Nós pegamos 250 milhões de combustível contrabandeado em cinco navios. Sabe onde mora o cara? Em Miami. Sabe onde? Na melhor casa de Miami. Eu falei para o Trump, me entregue ele”, afirmou.
Para Lula, a persistência da corrupção entre as classes mais poderosas representa uma ameaça direta às políticas públicas e às condições de vida da população. O presidente também incluiu no discurso referências ao aumento da violência contra as mulheres, ampliando o tom social de sua fala.
Evento do SUS e anúncios na saúde
As declarações ocorreram durante um evento voltado à área da saúde, no qual o governo anunciou medidas para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Acompanhado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Lula visitou uma carreta do programa Agora Tem Especialistas, além de anunciar obras em uma policlínica e em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e realizar a entrega de ambulâncias do SAMU.
Fim da escala 6×1 entra na agenda política
Antes do evento, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que Lula pretende se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), para discutir o fim da escala de trabalho 6×1. O tema avançou institucionalmente com o envio da proposta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Segundo Boulos, o governo defende o envio de um projeto com urgência constitucional, o que poderia acelerar a votação ao travar a pauta legislativa caso o texto não seja analisado em até 60 dias.
A expectativa do Planalto é votar a medida ainda neste ano, preferencialmente antes das eleições de outubro.
O ministro reiterou que o governo não abre mão da adoção de uma jornada máxima de cinco dias de trabalho por dois de descanso, da redução para 40 horas semanais e da manutenção dos salários.
A tramitação da proposta ocorre em um contexto de busca do comando da Câmara por pautas de forte apelo popular e potencial impacto eleitoral.




