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Faltando apenas três dias para a entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o governo Lula intensifica seus esforços diplomáticos para tentar barrar ou, ao menos, mitigar os efeitos da medida. O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, lidera as tratativas com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, com foco na exclusão de itens sensíveis como alimentos e aeronaves da Embraer — ambas altamente dependentes do mercado norte-americano, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.
O presidente Lula recebeu na segunda-feira (28) o plano de contingenciamento para ajudar empresas afetadas pela tarifa de 50% aos produtos brasileiros impostas pelos Estados Unidos, segundo informou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele reiterou que o Brasil não pretende sair da mesa de negociações e continuará a dar prioridade ao diálogo para tentar reverter a medida.
Formulado pelos Ministérios da Fazenda; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; das Relações Exteriores; e pela Casa Civil, o plano de contingência agora está sob análise de Lula, que tomará uma decisão, caso os Estados Unidos não adiem a entrada em vigor da tarifa, prevista para a próxima sexta-feira (1º).
O Brasil é o maior fornecedor de suco de laranja e café aos Estados Unidos, com participação relevante na balança comercial bilateral. As negociações também buscam poupar as exportações da Embraer, cuja cadeia produtiva inclui insumos norte-americanos, argumento usado como tentativa de convencimento.
Crédito facilitado e preservação de empregos na proposta do governo Lula
Ainda sem uma resposta oficial do governo estadunidense, o Brasil corre contra o tempo. Haddad disse que o plano — que inclui propostas como crédito facilitado e preservação de empregos — depende do aval do presidente Lula. “O foco é negociar”, disse Haddad após reunião com o presidente ontem.
Ainda assim, o governo admite crescente dificuldade em obter qualquer avanço. “Todo dia ele [Alckmin] liga para alguém e ninguém quer conversar com ele”, afirmou Lula em evento recente.
Apesar do tom de frustração, o discurso oficial mantém a disposição para o diálogo, inclusive com envio de representantes como o chanceler Mauro Vieira e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, que está em missão nos EUA junto a uma comitiva de parlamentares.
Sem concessões na esfera política
Nos bastidores, fontes do governo reforçam que não haverá concessões em questões políticas ligadas à Justiça brasileira, especialmente sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro — citado por Trump como motivo para a imposição das tarifas. Em nota oficial, o Planalto reiterou que “a soberania do Brasil é inegociável”.
Internamente, Alckmin se reúne com representantes do agronegócio, indústria e exportadores para traçar estratégias de mitigação. Em paralelo, o governo monitora o interesse norte-americano em recursos minerais estratégicos brasileiros. Lula foi categórico: “Essas reservas pertencem ao povo brasileiro”.
Sem sinais de recuo por parte de Trump, a medida — se efetivada — poderá representar um dos maiores choques comerciais entre Brasil e EUA nas últimas décadas, em um momento em que o governo brasileiro busca reposicionar sua política externa e reforçar parcerias com o Brics, bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e outras economias emergentes.
Fonte: ICL Notícias




