‘Luta é contra precarização’, diz estudante da USP


Por Afonso Bezerra e Lucas Krupacz e Maria Teresa Cruz – Brasil de Fato

Estudantes universitários de diversas instituições públicas de São Paulo seguem mobilizados contra o que definem como desmonte da educação promovido pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Desde abril, uma greve promovida pelos alunos de faculdades como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) e Universidade de Campinas (Unicamp) denuncia precarização das estruturas do ensino superior, más condições do bandejão e falta de políticas para permanência estudantil.

Na última quarta-feira (20), uma manifestação reuniu milhares em uma caminhada do Largo da Batata, na zona oeste da capital paulista, ao Palácio dos Bandeirantes (sede do governo estadual) e contou com apoio de servidores públicos de outros setores que também reivindicam melhores salários e condições de trabalho, entre eles os professores municipais e metroviários.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Rosa Baptista, coordenadora do DCE da USP, fala que a unificação das lutas é fundamental porque não se trata de um ou outro setor, mas de um projeto de precarização dos serviços públicos e de privatização por parte do governo estadual e também municipal de São Paulo.

“A marcha tem um sentido de apontar que é importante debater as lutas localmente, que é como estamos fazendo com a construção das greves, mas o processo de mobilização não pode ficar preso apenas nas universidades, inclusive porque existe um projeto maior que vai além das universidades, por isso, a gente construiu esse dia de unificação, mas também de coesão e síntese contra um projeto de precarização que afeta o estado como um todo”, avalia.

“A realidade em que se encontram as universidades é muito grave, de muito sucateamento, mesmo sendo universidades de muito prestígio e excelência. Seja por salários insuficientes, seja por condições deprimentes de estruturas que os estudantes convivem. Há estruturas de prédios muito ruins, o medo é cair o teto sobre as nossas cabeças”, relata a estudante.

Baptista explica que as universidades públicas receberam muitos alunos nos últimos anos, com abertura de cursos e ampliação de vagas, mas o orçamento não acompanhou. “USP, Unicamp e Unesp estão muito maiores do que há 15 anos. O investimento de orçamento não acompanhou e existe um problema de orçamento, de repasse, sobretudo hoje que existe um debate de formas de financiamento do ensino superior. E se avançou dentro da própria universidade uma disputa por esse orçamento, existe um avanço neoliberal que impede que as universidades invistam, por exemplo, em permanência dos estudantes. Isso tudo é escolha”, avalia.





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