Um levantamento feito pelo instituto de pesquisa e inteligência de dados Nexus mostra uma derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais após a decisão do Supremo Tribunal Federal de torná-lo réu – ao lado de outras sete pessoas – por conspiração para golpe de estado.
Segundo o levantamento, 56% das contas que manifestaram opinião sobre a votação se mostraram favoráveis às conclusões tomadas pelos ministros integrantes da Primeira Turma. Outros 44% criticaram o desfecho da votação, encerrada na quarta-feira 26.
O levantamento, porém, mostrou que a maioria das postagens sobre o caso (64%) adotaram tom neutro. Isso inclui, por exemplo, veículos de imprensa (tradicional e independente) e perfis de influenciadores que se limitaram a noticiar o caso.
A pesquisa mostra que a polarização política é mais forte no X (antigo Twitter), onde as postagens em tom neutro foram apenas 5% das manifestações totais. Entretanto, mesmo na rede de Elon Musk, o percentual de pessoas favoráveis superou as contrárias à decisão do STF (56% a 44%).
No Facebook e no Instagram, as proporções são bem mais altas de conteúdos neutros (69% e 67%, respectivamente). Em ambas, quando levados em conta só os conteúdos opinativos, mais pessoas estão a favor da decisão do Supremo do que o grupo que se diz contrário.
Direita se mobiliza
Apesar de um maior volume de perfis demonstrarem apoio à decisão do STF, os comentários contrários geraram maior engajamento. Segundo a pesquisa, as postagens críticas somaram mais de 50% das interações (respostas de outros usuários).
“Os dados mostram que a mobilização de publicadores foi maior entre os apoiadores da condenação, enquanto a mobilização das pessoas em geral se deu em movimento contrário, pois os posts críticos à decisão do STF representaram mais da metade do total de interações. Isso mostra que os críticos de Bolsonaro até se mobilizaram mais para publicar sobre o tema, mas foram os perfis de direita que se mobilizaram melhor para gerar conversas digitais a respeito do tema”, afirma Marcelo Tokarski, diretor-executivo da empresa que fez o levantamento.
Por: Carta Capital