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Por Blog do Esmael
A cena vista nesta quarta-feira (23) no Centro Cívico, em Curitiba, resume o momento de desgaste do bolsonarismo: faixas penduradas em um viaduto e o apelo desesperado por buzinaços. Sem conseguir reunir nem meia dúzia de apoiadores, como já havia ocorrido no domingo anterior, os simpatizantes de Jair Bolsonaro (PL) optaram por substituir o público ausente por cartazes e barulho.
Com faixas estampando “Fora Lula!”, “Fora Moraes!” e o já velho bordão “Anistia Já”, os manifestantes de extrema direita fixaram os cartazes na estrutura do viaduto da Rua Comendador Fontana. Diante da escassez de gente para segurar os cartazes, recorreram ao apelo por buzinas, colando adesivos com a palavra “BUZINE” em letras vermelhas. O problema é que a algazarra sonora, longe de gerar solidariedade, despertou a irritação de moradores da região.
De apoiadores a detratores: moradores se sentem ofendidos
Residentes dos edifícios próximos ao Centro Cívico relatam ao Blog do Esmael incômodo com o ruído constante causado pelos buzinaços incentivados pelos cartazes. Muitos deles, inclusive, foram eleitores de Bolsonaro no passado, mas agora se dizem ofendidos com a “fuzarca barulhenta”.
“Já votei nele, mas isso é palhaçada. Ficar incentivando barulho no meio da cidade só afasta as pessoas”, afirmou uma moradora da região ao Blog do Esmael, pedindo para não ser identificada.
Um advogado, que não votou em Bolsonaro, também reclamou do barulho que atrapalha seu ofício. “Poderiam protestar em uma praça, seria mais adequado, disse o causídico, que enviou as fotos.” Ele pediu para não ser identificado.
O esvaziamento da militância bolsonarista em Curitiba expõe o desgaste crescente do ex-presidente, que enfrenta investigações no STF e uma série de restrições judiciais impostas pelo ministro Alexandre de Moraes. Entre elas, uso de tornozeleira eletrônica e proibição de usar redes sociais.
Ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)
Recado do asfalto: silêncio maior que o barulho
No domingo (20), a mesma tentativa de protesto já havia fracassado. As imagens revelam um grupo diminuto, incapaz de manter sequer as faixas erguidas. Agora, com a substituição de manifestantes por cordas e buzinas, o silêncio da ausência se fez mais eloquente que os gritos de protesto.
O fiasco em Curitiba pode ser entendido como mais um termômetro do enfraquecimento do bolsonarismo nas ruas, mesmo em regiões onde o ex-presidente sempre teve desempenho expressivo nas urnas. A troca do apoio popular por ruído mecânico escancara o isolamento político e social de Bolsonaro, que já não consegue mobilizar nem os seus. Evidemente, isso terá impacto nas eleições de 2026.
Fonte: ICL Notícias




