Por Igor Mello
Embora traga Lula (PT) como primeiro colocado em todos os cenários de primeiro e segundo turno, a primeira pesquisa Genial/ Quaest de 2026 traz uma série de más notícias para o presidente a menos de um ano da eleição.
A percepção da economia e a inclinação do eleitorado de centro –definido como “independente” pela Quaest– aos candidatos de extrema direita são desafios para a campanha petista.
Independentes pendendo à direita
Lula vence em todos os cenários de primeiro turno, marcando entre 35% e 40% das intenções de voto.
Apesar da vantagem na liderança, um dado liga o sinal amarelo: o somatório das intenções de voto dos candidatos de direita e extrema direita é maior do que o do presidente em seis dos sete cenários projetados pela Quaest.
O pior cenário para Lula é o que conta com a participação de todos os pré-candidatos da direita. Neste caso, Lula marca 36% das intenções de voto, contra 23% de Flávio Bolsonaro (PL), candidato escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a disputa. Os outros candidatos de direita marcam, somados, outros 23%. Com isso, a direita teria 46% das intenções de voto, 10 pontos percentuais a mais que Lula.
Além de Flávio, neste cenário foram apresentados aos eleitores os nomes dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). Os nanicos Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC) completam o rol de candidatos conservadores.
A Quaest divide ideologicamente os brasileiros em cinco grupos:
- Esquerda lulista – 19% do eleitorado
- Esquerda não-lulista – 14%
- Direita bolsonarista -12%
- Direita não-bolsonarista – 21%
- Independentes – 32%
São justamente os eleitores independentes, mais alinhados ao centro do espectro político, que puxam a votação dos candidatos de direita para cima neste momento.
Segundo os dados da Quaest, Lula marca apenas 25% das intenções de voto neste grupo. Flávio Bolsonaro alcança 16% e Ratinho Júnior chega a 11%. No total, os candidatos de direita chegam a 39% das intenções de voto dos eleitores independentes. O dado indica que o governo não tem conseguido falar para fora de seu eleitorado cativo à esquerda.
Melhora na economia não impacta eleitor
Os independentes ajudam a explicar também porque a melhora de indicadores importantes na economia não geram um impacto significativo no eleitorado neste momento.
De acordo com o levantamento, 64% dos eleitores independentes acha que o país está na direção errada — uma piora de 4 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, em novembro.
A percepção dos independentes talvez explique a percepção colhida entre os eleitores com relação à economia: 49% dos ouvidos acreditam que está mais difícil conseguir um emprego do que há 1 ano. O dado contrasta com o índice de desemprego, que chegou ao menor patamar em 13 anos.
Outro dado tem relação com o custo de vida: 58% dos ouvidos acha que os preços dos alimentos nos mercados está maior no último mês –mesmo com a inflação nos últimos 12 meses ser a menor desde 2018.




