Mauro Cid deve escapar de processo que poderia levar à perda da patente


Por Cleber Lourenço

A possibilidade de o tenente-coronel Mauro Cid responder a um procedimento que pode resultar na perda do posto e da patente é considerada remota por integrantes do Superior Tribunal Militar (STM). Ouvidos pelo ICL Notícias, ministros e outras fontes da Justiça Militar avaliam que o Exército dificilmente irá instaurar o Conselho de Justificação contra o militar, embora a medida ainda seja juridicamente possível.

Mauro Cid ganhou notoriedade nacional por ter sido ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro durante todo o mandato. Ele é investigado em diferentes frentes pela Polícia Federal, incluindo o caso das joias sauditas recebidas pelo governo Bolsonaro e a inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 em sistemas do Ministério da Saúde. Cid também firmou acordo de colaboração premiada com a Justiça, no âmbito das investigações sobre tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

No Supremo Tribunal Federal (STF), o militar já foi condenado em um dos processos relacionados às investigações, recebendo pena inferior a dois anos de prisão — fator que influencia diretamente o procedimento administrativo no âmbito militar. Em outros inquéritos, ele ainda responde a acusações e segue sob investigação.

Salário de R$ 16 mil

O tenente-coronel Mauro Cid foi para a reserva remunerada do Exército em março de 2026. Ele obteve a aposentadoria antecipada por meio da cota compulsória e passou a receber um salário mensal de aproximadamente R$ 16 mil, além de manter alguns benefícios da carreira.

A legislação prevê que, nas circunstâncias do caso de Mauro Cid, a iniciativa para abertura de um Conselho de Justificação cabe exclusivamente ao comandante do Exército, general Tomás Paiva. Como a condenação aplicada pelo STF foi inferior a dois anos de prisão, a instauração do procedimento não depende de representação do Ministério Público Militar, mas de uma decisão administrativa do comando da Força.

Questionada pela reportagem, a presidente do STM, ministra Elizabeth Rocha, explicou que o procedimento somente pode ser iniciado pelo comandante do Exército.

“Só se o comandante do Exército, general Tomás, iniciar o procedimento. Primeiro dentro do comando e, se ele não for justificado, sobe para o STM”, afirmou.

A ministra também explicou que, diante da pena aplicada ao militar, a iniciativa não compete ao Ministério Público Militar.

“Como houve condenação menor do que dois anos, compete a ele e não ao MPM”, disse.

Na avaliação pessoal da presidente do STM, a demora do Exército em instaurar o procedimento indica que a medida dificilmente será adotada.

“A minha impressão é que, se até agora ele não ofereceu, não oferecerá. Não posso afirmar com certeza, mas acho muito pouco provável”, afirmou.

A leitura é compartilhada por outros integrantes da Justiça Militar ouvidos reservadamente pelo ICL Notícias. Segundo essas fontes, embora não exista impedimento jurídico para que o Conselho de Justificação seja instaurado futuramente, a ausência de qualquer iniciativa meses após a condenação reforça a percepção de que o comando do Exército não pretende abrir o procedimento.

A avaliação coincide com informações publicadas recentemente pela Revista Sociedade Militar. Em resposta ao veículo, o Exército informou que ainda não instaurou Conselho de Justificação contra Mauro Cid e afirmou que existem medidas judiciais e administrativas em andamento que precisam ser concluídas antes de eventual análise sobre o caso.

Apesar disso, a legislação não fixa prazo para a abertura do procedimento, o que significa que a possibilidade permanece formalmente aberta enquanto o comandante do Exército não decidir em sentido contrário.

O Conselho de Justificação é um procedimento administrativo previsto na Lei nº 5.836, de 1972, destinado a avaliar se um oficial reúne condições para permanecer na carreira militar. Caso conclua que o militar é incompatível com o oficialato, o processo é encaminhado ao Superior Tribunal Militar, a quem cabe decidir sobre a eventual perda do posto e da patente.

Na prática, porém, a avaliação predominante entre integrantes do STM é que esse caminho dificilmente será percorrido no caso de Mauro Cid.





ICL – Notícias

Deputada Natália Bonavides denuncia ameaça de estupro e esquartejamento

A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), candidata à reeleição, afirmou ter recebido...

Amazonas Repórter

Tudo

CENTRAL ÚNICA DAS FAVELAS DIVULGA TIMES FINALISTAS DA TAÇA DAS FAVELAS AMAZONAS 2025

  Decisão será no próximo sábado (30), no Estádio Carlos Zamith, com organização da Central Única das Favelas Amazonas As semifinais disputadas no Estádio Carlos Zamith...

Deputado Félix Mendonça é alvo da PF em operação contra desvio de emendas

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (13), uma nova...