A criação da Faixa 4 de renda do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), anunciada pelo governo federal nesta sexta-feira (4), deve fazer o mercado imobiliário rodar em um ritmo maior que o previsto para 2025.
De acordo com especialistas consultados pelo CNN Money, as empresas poderão encaixar mais projetos no programa, além de acelerar suas vendas, mirando um público que estaria enfrentando dificuldades para o financiamento imobiliário no cenário macro atual.
Segundo o conselheiro da Manatí Capital Management e ex-vice-presidente de Habitação da Caixa, José Urbano Duarte, a criação da faixa de R$ 8 mil a R$ 12 mil no MCMV é, por si só, interessante, dado o cenário macroeconômico de alta de juros – que tem afetado o público desse nicho de renda e, consequentemente, a dinâmica do mercado, diminuindo a velocidade de venda do que já foi lançado e dificultando as vendas de lançamentos.
“Essas condições [atuais] desse nicho de renda no mercado hoje estão bem menos favoráveis do que um ano atrás. As taxas de juros estão maiores, as cotas de financiamento estão menores, o que significa que quem está comprando precisa ter mais dinheiro, mais recurso próprio para realizar essas compras”, disse Duarte.
“Isso afeta a dinâmica do mercado, de quem está lançando, e da velocidade de venda do que já foi lançado”, completou.
De acordo com o especialista, a junção da nova faixa do MCMV com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil pode aquecer o setor.
“Se juntar a isenção do IR com a nova faixa do MCMV, você reafirma que o potencial dessas duas medidas na dinâmica do mercado é positiva. Uma cria condições mais favoráveis de financiamento e a outra coloca mais dinheiro no bolso, o que permite tomar um financiamento maior em condições melhores do que tinha até então um poder de comprar, implicando positivamente a dinâmica desse mercado para 2025”, disse Duarte.
O sócio e analista da Nord Investimentos, Rafael Ragazi, também destacou que a medida deve acelerar as vendas das construtoras.
“Os juros dessa nova faixa serão próximos de 10% ao ano, que é acima do praticado do Faixa 1 ao Faixa 3, que varia de 4% a 8%, mas ainda assim se comparado as taxas do mercado, fora do MCMV, que gira em torno de 12%, ainda é uma taxa vantajosa”.
Perspectivas para construtoras na B3
Para Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, a nova Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida deve beneficiar diretamente construtoras da bolsa que atuam com foco na classe média, como Cury, Direcional, MRV e Plano & Plano.
“Com o aumento do teto de financiamento para imóveis de até R$ 500 mil, essas empresas poderão encaixar mais projetos no programa, ampliar os lançamentos e acelerar as vendas”, disse Belitardo.
Segundo Belitardo, a medida deve melhorar as margens e impulsionar o desempenho operacional dessas empresas, o que pode se refletir positivamente nas ações.
“O mercado vê a mudança como um estímulo direto e relevante para o setor”, afirmou Belitardo.
Ragazi destacou que, entre as construtoras listadas na B3, a MRV deve ser a mais beneficiada.
“A MRV vai se beneficiar muito da criação desse novo programa. A empresa já tem terrenos que seriam utilizados para empreendimentos da faixa desse programa. A MRV sofreu bastante com o pós-pandemia, mas se reestruturou e já está aí no caminho de voltar a gerar bastante caixa, reduzir sua alavancagem, então é nossa preferência no setor”, disse Ragazi.
Fonte: CNN Brasil